quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Da encarnação à adoção - Princípios de transformação

 Queridos, tenho compartilhado com aqueles que estão mais perto a respeito destes dois temas, normalmente tratados de forma separada, mas imprescindíveis para a concretização da oração do Pai nosso, em especial no conceito “Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu”.
Sem encarnação, não existe identificação, sem identificação não existe adoção! Estes são os movimentos mais difíceis para a missão do corpo de Cristo, que normalmente se fecha em seu núcleo de vida e ao invés de ir (encarnar) dizem a todos, venham e vivam como nós. Paulo foi capaz de dizer “sede meus imitadores”, mas o padrão era Cristo, “assim como eu sou de Cristo”, agora uma pergunta aos Cristãos: Quais dos nossos atos têm expressado a Cristo, ou o que Cristo faria se estivesse em nosso lugar?
Somos imitadores de Cristo na encarnação?
A encarnação se define, pelo ato de Deus se fazer carne (Jo 1.14). Este é um resumo que reduz toda a expressão da encarnação a um conceito que não nos transforma pessoalmente e nos leva em direção à vontade de Deus. Explico, a encarnação é um ato voluntário de Jesus em favor de inimigos - Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. (Ro 5.10).

Paulo nos desafia – “Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5), a NVI traduz por atitude, de humilhar-se e esvaziar-se até a morte e morte de Cruz. Mas Paulo usa este famoso hino cristão, como argumento para “cada um considere os outros superiores a si mesmo;  não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros”. A encarnação é uma ação voluntária em favor do próximo, e no caso de Cristo, em favor da reconciliação daqueles que antes eram inimigos – Você pode dizer um: Eu!

O Deus que se fez carne, o redentor encarnado, decidiu voluntariamente envolver-se com a história da humanidade: chorou, esteve nas festas, viu o luto, restaurou dignidade a rejeitados, sofreu, disputou idéias, e foi à morte. Foi à morte por ato de entrega pessoal, e voluntária ao propósito eterno de Deus, morte de Cruz. Do ponto de vista da sociedade da época, a sua mensagem incomodava demais, e por isso também foi rejeitado.

A sua herança na terra, uma equipe de Galileus, como imitadores desta idéia deixam-nos uma herança de mártires e um modelo de amor a seguir: “Nisto conhecemos o amor, que Cristo deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (I Jo 3.16). O limite final da encarnação é a morte. Mas devemos lembrar que a encarnação é a expressão da vontade de Deus através de nós em direção ao próximo, quando passamos a participar da vida do próximo, dramas e dilemas.

Os encontros de nosso salvador enquanto encarnado, mudou realidades, e criou até alguns problemas nas relações sociais, veja o caso do endemoniado gadareno, onde apesar do grande milagre de libertação, Jesus é rejeitado. Após a ressurreição de lázaro, ambos tem que fugir, para não serem mortos. Deus encarnado incomodava, assim como a Igreja no primeiro século incomodava, pois transformava.
Dois assuntos atuais para pesarmos em encarnação: o aborto e a questão dos direitos civis do grupo denominado lgbt. Normalmente nossa mensagem é – Sou contra! Mas se você vivesse diretamente junto com a mulher que já renunciou o filho antes dele ser concebido, ou em contato direto com qualquer lgbt, qual seria o seu procedimento? O que o encontro de Cristo com estas situações produziria – e você é um embaixador de Cristo? Ou apenas um freqüentador de Igreja?
Em um outro movimento está a adoção, a encarnação gera a identificação a identificação gera a adoção. Na encarnação o limite final é a morte, em favor do próximo, entramos na história, realizamos uma intervenção, para gerar transformação. Com a adoção, o movimento se inverte, ele só acontece após a identificação gerada pela encarnação. Deus em Cristo nos tornou filhos por adoção (Gl 4.5). Cristo o unigênito do Pai, esvaziou-se, e se tornou o primogênito, nos fazendo co-herdeiro com ele. Na adoção perdemos privilégios, na adoção nos privamos de tempo, na adoção restringimos a nossa liberdade para incluir, mudando a rotina da história.
O Filho ao se permitir ser instrumento de inclusão do Pai, na adoção, entregando-se à morte, e partilhando espaço, nos dá uma lição de generosidade poucas vezes vista na história da igreja.
O corpo de cristo precisa encarnar, e adotar, para cumprir sua missão. Encarnar a dor da mulher, a orfandade da criança, a luta do desesperado, o sofrimento do necessitado, a angustia do próximo, mas também precisa trazer a mulher, a criança, o necessitado, o próximo para fazer parte de sua história.
Foram estas as máximas praticadas por Cristo e pela Igreja primitiva que transformaram a história. Foi pela encarnação e adoção que nossa esperança aconteceu. A esperança da humanidade, acontece mediante o fruto do penoso trabalho de Cristo, gente! Pessoas atraídas pela cruz, que encarnam e adotam, no tempo e no espaço, no momento propício em que Deus les colocou na história.


Um comentário:

  1. Leandro Bosaipo

    Parabéns pelo seu micro-blog.

    que Deus abençoe e que estes pensamentos fluencie muitas pessoas.

    E sempre que precisar estou sempre a disposição.

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