Eu Sou o que Sou. Eu Sou me enviou a vós outros. O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração. (Ex 3.14-15)
Quando Moisés pergunta o nome de Deus, como um homem de seu tempo, afinal naquele tempo todos os deuses tinham nome, Deus se revela, a partir do passado na história da humanidade na sua caminhada com homens, ensinando na história, e demonstra que deste modo será lembrado no futuro. Este texto, é a base do modelo revelacional registrado por Moisés, em seus escritos. Moisés conta histórias para um povo, histórias que aconteceram no passado, e que trouxeram aquele povo para o momento em que estão vivendo.
Aquele que um dia foi salvo, que foi criança no palácio de Faraó, que foi um jovem impulsivo a ponto de matar por justiça e liberdade, agora é um senhor, líder de escravos fugitivos, nômades, que peregrinam pelo deserto, as vezes resmungando, sendo quebrados e quebrantados, vencendo guerras, e perdendo a esperança a ponto de perder a herança. Este povo será uma nação, e para ser uma nação terá que lembrar do passado.
Moisés está construindo uma identidade nacional, cujo primeiro grande herói é honesto o suficiente, para dizer que ele é apenas uma parte da história. Deus é responsável por tudo, e Deus começou isso no passado. Moisés é um revolucionário, que faz a transição para uma nação, mas não usufrui de benefícios exclusivos de sua posição. Este é Moisés, que diz, somos todos filhos de Abraão.
Abraão, não é a origem de tudo, mas a base da esperança, ensinada a Moisés. Moisés ainda relata histórias, da vida com Deus que antecedem a Abraão:
- Enoque andou com Deus (Gn 5.24)
- A partir de Enos se começou a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26)
- Noé, é um homem justo e íntegro que andava com Deus (Gn 6.9)
- Melquisedeque, foi sacerdote do Deus altíssimo (Gn 14.18)
- Além da história de Jó que talvez anteceda a Abraão.
Estes são registros da vida com Deus, antes do Templo, não existia a bíblia, nem o conhecimento do chamado de Deus a Abraão. Mas é a Abraão que Deus visita, além do rio, (Josué 24.2-3), num ambiente de idolatria, na cidade de Ur dos Caldeus, onde seus país serviam a outros deuses.
Para Moisés, e depois para seu discípulo e sucessor Josué, a nação que esta nascendo é fruto da maior revolução cultural da história da humanidade. A transformação cultural no coração de um jovem, diante da transformação da herança espiritual de uma família, para um único Deus. Deus entra na história de Abraão, e o convida para um viagem sem destino claro, com este convite a humanidade está mudando.
Na vida de Abraão, Deus gera mudança geográfica (Gn 12.1), e com isso Deus está falando que não estamos fadados aos limites dos muros de nossa casa. O fatalismo que cerceia a criatividade e nos impede de ir além do mundo apresentado a nós é confrontado. A peregrinação deste homem, primeiro com o seu pai, depois com sua esposa, e sobrinho e posteriormente as peregrinações herdadas por sua família até Moisés, é como um desfile do propósito eterno de Deus, ensinando a humanidade o caminho do retorno das nações para o criador. Todo o mundo conhecido da época observa os homens cuja a marca é a participação de Deus na história - Eles realmente levam Deus em conta.
Na vida de Abraão, Deus gera transformação social (Gn 12.1), convidando-o a sair do meio social, da parentela, da casa de teu pai, para descortinar um caminho não conhecido, de migração, sem residência fixa, as vezes estando no Egito. Da segurança para a insegurança, do conforto ao desconforto, esta obediência de coração, com erros e acertos, descreve a construção do homem que vem a ser chamado de pai da fé.
A Graça educando um homem para ser uma família, amadurecendo na história, um povo para ser uma nação, que serve ao Deus de Abraão, vosso pai. Em Abraão a história se submete à história de Deus para nós, é aí que começa o estabelecimento das alianças que irão marcar nações (Gn 12.1-3; 13.14-18; 15.1-11; 17.1-8; 17.18-21).
Ao narrar esta história, durante o êxodo, Moisés, está registrando a gênese da primeira nação monoteísta da história da humanidade. E todos os seus escritos, vão determinar este controle histórico de Deus, no meio da humanidade em direção ao propósito eterno da revelação da esperança em Cristo.
“sabe com certeza que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida a escravidão, e será afligida por quatrocentos anos”.
Nós estamos construindo o pano de fundo para o melhor entendimento do que consideramos a grande descoberta da humanidade, Deus, o único Deus, o Eu Sou, construindo o conhecimento a Seu respeito no meio da humanidade, como ele deveria ser, e as influências deste conhecimento vivido e praticado no dia a dia. Assim, o registro escrito da revelação de Deus em Moisés é antes de tudo a carta magna, fundamental para a vida de uma nação, que tem uma história de libertação, um líder e uma herança em Abraão.
Deus está ensinando a humanidade, a base é a capacidade de entendimento da própria humanidade, nenhum ensino que está sendo dado vai além da capacidade da própria humanidade de entender.A humanidade é fruto do meio, fruto do seu tempo, e da sua capacidade de aplicar o que aprende para viver. E assim como Abraão, saiu do meio da idolatria, e da confusão social, os seus herdeiros, que até agora só tem promessas, vivem e experimentam a promessa de serem reduzidos à escravidão. Esta era uma certeza para Abraão, pois o futuro lhe foi descortinado por Deus.
Um jovem - uma família - um povo escravo no egito.
Nesta participação de Deus na história, para que as promessas de Deus se cumpram a Abraão, quatrocentos anos depois, com Moisés, sendo a resposta de Deus a um povo em suas ansiedades. O Egito se torna parte do instrumento histórico de Deus para esta construção de identidade nacional, como chamado a uma revolução social, que tem início em uma família, mas tem o propósito na formação de um povo na mesopotânia antiga.
A esperança, é o que preserva um povo sendo escravo e afligido pela tirania, para que com o decorrer da história, venha a ser uma nação. Esta história da antiguidade mostra como os vínculos da esperança são fortes e são eles que impedem a dissolução da humanidade. A utopia estava preservada na história contada pela família. Uma família, que tinhas seus defeitos. Deus não estava lidando com homens perfeitos, mas no meio da humanidade imperfeita gerando na história a caminhada em direção Àquele que é Perfeito.
Moisés não escondeu, os defeitos de Abraão, e nem as suas tentativas de ajudar Deus em suas promessas. A paciência e o amor de Deus são imensos, Ele se mantém firme em Seu propósito mesmo diante das falhas humanas. As promessas a Abraão começam a acontecer com Ismael (Gn 25.16), mas a história que interessa a Moisés, é a que passa por Isaque (Gn 25.23), através de Jacó, que vem a ser Israel (Gn 27.27-29; 28.13-15; Gn 32).
Uma família onde existe mentiras, covardia, traição, falsidade, disputa de espaço. Uma família adotada por Deus para ser transformada e do seu interior, gerar a esperança da humanidade. Deus mostra como a cultura familiar, o mundo interior deve realmente estar submisso a Deus, alinhados com Deus, de fato e de verdade. É em Jacó que Israel se torna uma família, e como toda a família os dilemas estão presentes. As disputas na diversidade familiar chega ao cúmulo de levar a José, o queridinho do papai ao Egito.
O salvador da família, é aquele excluído pelos iguais, e no fim os egípcios que enterraram a Jacó, eram os filhos de Abraão preservados na história da promessa pela sabedoria de José o irmão non-grato, que investiu restituição e perdão na família. Uma família que vira um povo no Egito. Com a morte de José e de toda aquela geração (Gn 1.7), chegamos ao momento da história de Moisés.
Como já falamos, era o êxodo a primeira grande migração em massa da história da humanidade, as fronteiras geográficas estão sendo quebradas e a mudança geo-política está gerando transformação social, de um modo exclusivo. O império econômico perdeu sua força de trabalho, as nações estão em polvorosa, a estabilidade questionada, uma migração está pedindo passagem, e enquanto caminha, a sua presença e a sua notícia vai abalando as estruturas organizadas dos povos. Aqueles escravos se tornaram uma tribo nômade, a minoria está escrevendo a sua história, em direção a uma terra que já tem dono.
Um jovem - Uma família - Um povo escravo - Uma tribo nômade - Uma Nação
Este é o objetivo, ser uma nação. É por isso que Moisés começou a escrever a Torá, para gerar uma nação. É sob este pano de fundo que estudamos Gn 1-3. Quando aquele que “É”, participa, ele transforma toda a expectativa da humanidade. Então o povo está no êxodo, aprendendo a ser uma novidade para as nações, uma nação cujo Deus é o Senhor e ouve inicialmente:
No princípio, criou
Deus
os céus e a terra