quinta-feira, 16 de maio de 2013

Somos brasileiros?


No princípio, éramos povos, por volta de 300 etnias, vivíamos com as mais diferentes culturas, espalhadas pela terra que hoje chamamos de Brasil. Nossa terra, apresentava, uma exuberância natural de povos, línguas, tribos mas não éramos uma nação. Nós tínhamos diversidade cultural, linguística, construída na história pela generosidade de Deus, ao nos dar uma variação tão grande de ambiente também. Celebramos a diversidade.

Os portugueses, foram os primeiros visitantes, chegaram sem família, para conquistar tesouro. Conquistaram nossas mulheres a força! O Eli, da tribo Ticuna, por isso chamado de Eli Ticuna,  nos ensina, que antes éramos índios, e a partir de um estupro, nasce o brasileiro. Fruto da força do português, com a obrigação servil da mulher índigena. Somos filhos bastardo.

Muitos portugueses vieram fugidos, alguns porque deveriam pagar por crimes, outros por que não tinham mais como encontrar trabalhos em sua terra, outros fugiam de Napoleão. Vieram para a terra onde não haveria pecado, e todos teriam oportunidade. Vieram para conquistar terra e riqueza. Eram sonhadores.

Após dividirem as terras, os portugueses resolveram trazer a força trabalhadora para gerar riqueza, e aumentar a capacidade do império. Chegaram os negros, a força trabalhadora, era assim que o império se movia. Esses viviam debaixo da opressão, arrancados da vida, da família, as vezes traídos pelos seus. Mais uma vez as mulheres foram forçadas, e geraram filhos. Mais um brasileiro estava nascendo.

Quando veio a abolição e posteriormente a república, começamos a construir o Brasil, surge a nação. Celebrávamos a diversidade, nós nos chamávamos brasileiros. Índios, portugueses que aqui viviam, negros, e os filhos da mulheres, negras, índias e brancas que aqui foram gerados, como brasileiros.

 A terra da paz, da música, onde para tudo se dá um jeito, onde tudo que se planta colhe, terra sem pecado, terra da oportunidade,  terra da celebração, que durante as grandes guerras deu refúgio a muitos: Austríacos, Italianos, Alemães, Franceses, Holandeses, Japoneses,  entre outros que vieram antes ou depois. Somos pioneiros, brasileiros.

Nós somos Brasileiros, celebramos a diversidade, somos filho bastardo, sonhadores, somos pioneiros, somos forasteiros, somos colonizadores, conquistamos a mata os campos, do Sul ao Norte, do Leste ao Oeste. Somos a maior nação do sul e temos a maior miscigenação transcultural da humanidade.

Parece que Deus realmente preparou grandes coisas para nosso país:
  • a diversidade étnica: somente vista na promessa da volta de Cristo, quando todas as nações tribos e raças virão e se dobrarão diante do criador. Por isso somos bem vindos a todos os países do mundo, e todos gostam do que gostamos, principalmente futebol;
  • a diversidade cultural: capaz de nos fazer tão diferentes entre nós mesmo, que as vezes disputamos para ver quem é melhor, puro egoísmo, pois este é um dos motivos que nunca deixaremos de superar as crises, pois nossa capacidade criativa de adaptação é única no mundo moderno;
  • a diversidade linguística: todos falamos português, mas ao mesmo tempo não falamos o mesmo português, usualmente estudamos o mesmo português, mas: Quem liga realmente para as regras da gramática? As vezes acho que falamos o brasileiro, dos panpas, das araucárias, do norte, do nordeste, do pantanal, da amazônia, da cidade, do campo. Cada um fala do seu jeito, mas escreve como somos obrigados. Podemos lembrar da diversidade línguística ainda falada pelos Índios Brasileiros.
  • o otimismo: Será que alguma coisa pode dar errado? Não! Vai dar certo! Estamos indo em direção ao futuro, a cada crise, a cada quebra do mercado, a cada safra, quem poderá nos impedir? Somos os campeões em superação!
  • a generosidade: nossa capacidade de investir no que acreditamos, sem nem sempre termos retornos é enorme, mas principalmente a nossa capacidade de incluir culturas diferentes nas suas expressões pessoais, permitindo que cada pessoa diferente se sinta livra em nossa companhia, nos torna grande.


São estas características que fazem o mundo sempre olhar para o Brasil. São características que fazem o mundo esperar pelo Brasil. Deus preparou uma nação que lembra a glória de Deus espalhada entre as nações com imensa capacidade multi-relacional, que faz esta nação ter um chamado especial de Deus.

Somos Brasileiros!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os desafios para os dias de hoje: A revolução cultural




Eu Sou o que Sou. Eu Sou me enviou a vós outros. O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração. (Ex 3.14-15)

Quando Moisés pergunta o nome de Deus, como um homem de seu tempo, afinal naquele tempo todos os deuses tinham nome, Deus se revela, a partir do passado na história da humanidade na sua caminhada com homens, ensinando na história, e demonstra que deste modo será lembrado no futuro. Este texto, é a base do modelo revelacional registrado por Moisés, em seus escritos. Moisés conta histórias para um povo, histórias que aconteceram no passado, e que trouxeram aquele povo para o momento em que estão vivendo.

Aquele que um dia foi salvo, que foi criança no palácio de Faraó, que foi um jovem impulsivo a ponto de matar por justiça e liberdade, agora é um senhor, líder de escravos fugitivos, nômades, que peregrinam pelo deserto, as vezes resmungando, sendo quebrados e quebrantados, vencendo guerras, e perdendo a esperança a ponto de perder a herança. Este povo será uma nação, e para ser uma nação terá que lembrar do passado.

Moisés está construindo uma identidade nacional, cujo primeiro grande herói é honesto o suficiente, para dizer que ele é apenas uma parte da história. Deus é responsável por tudo, e Deus começou isso no passado. Moisés é um revolucionário, que faz a transição para uma nação, mas não usufrui de benefícios exclusivos de sua posição. Este é Moisés, que diz, somos todos filhos de Abraão.

Abraão, não é a origem de tudo, mas a base da esperança, ensinada a Moisés. Moisés ainda relata histórias, da vida com Deus que antecedem a Abraão:
  • Enoque andou com Deus (Gn 5.24)
  • A partir de Enos se começou a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26)
  • Noé, é um homem justo e íntegro que andava com Deus (Gn 6.9)
  • Melquisedeque, foi sacerdote do Deus altíssimo (Gn 14.18)
  • Além da história de Jó que talvez anteceda a Abraão.

Estes são registros da vida com Deus, antes do Templo, não existia a bíblia, nem o conhecimento do chamado de Deus a Abraão. Mas é a Abraão que Deus visita, além do rio, (Josué 24.2-3), num ambiente de idolatria, na cidade de Ur dos Caldeus, onde seus país serviam a outros deuses.

Para Moisés, e depois para seu discípulo e sucessor Josué, a nação que esta nascendo é fruto da maior revolução cultural da história da humanidade. A transformação cultural no coração de um jovem, diante da transformação da herança espiritual de uma família, para um único Deus. Deus entra na história de Abraão, e o convida para um viagem sem destino claro, com este convite a humanidade está mudando.

Na vida de Abraão, Deus gera mudança geográfica (Gn 12.1), e com isso Deus está falando que não estamos fadados aos limites dos muros de nossa casa. O fatalismo que cerceia a criatividade e nos impede de ir além do mundo apresentado a nós é confrontado. A peregrinação deste homem, primeiro com o seu pai, depois com sua esposa, e sobrinho e posteriormente as peregrinações herdadas por sua família até Moisés, é como um desfile do propósito eterno de Deus, ensinando a humanidade o caminho do retorno das nações para o criador. Todo o mundo conhecido da época observa os homens cuja a marca é a participação de Deus na história - Eles realmente levam Deus em conta.

Na vida de Abraão, Deus gera transformação social (Gn 12.1), convidando-o a sair do meio social, da parentela, da casa de teu pai, para descortinar um caminho não conhecido, de migração, sem residência fixa, as vezes estando no Egito. Da segurança para a insegurança, do conforto ao desconforto, esta obediência de coração, com erros e acertos, descreve a construção do homem que vem a ser chamado de pai da fé.

A Graça educando um homem para ser uma família, amadurecendo na história, um povo para ser uma nação, que serve ao Deus de Abraão, vosso pai. Em Abraão a história se submete à história de Deus para nós, é aí que começa o estabelecimento das alianças que irão marcar nações (Gn 12.1-3; 13.14-18; 15.1-11; 17.1-8; 17.18-21).

Ao narrar esta história, durante o êxodo, Moisés, está registrando a gênese da primeira nação monoteísta da história da humanidade. E todos os seus escritos, vão determinar este controle histórico de Deus, no meio da humanidade em direção ao propósito eterno da revelação da esperança em Cristo.

“sabe com certeza que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida a escravidão, e será afligida por quatrocentos anos”.

Nós estamos construindo o pano de fundo para o melhor entendimento do que consideramos a grande descoberta da humanidade, Deus, o único Deus, o Eu Sou, construindo o conhecimento a Seu respeito no meio da humanidade, como ele deveria ser, e as influências deste conhecimento vivido e praticado no dia a dia. Assim, o registro escrito da revelação de Deus em Moisés é antes de tudo a carta magna, fundamental para a vida de uma nação, que tem uma história de libertação, um líder e uma herança em Abraão.

Deus está ensinando a humanidade, a base é a capacidade de entendimento da própria humanidade, nenhum ensino que está sendo dado vai além da capacidade da própria humanidade de entender.A humanidade é fruto do meio, fruto do seu tempo, e da sua capacidade de aplicar o que aprende para viver. E assim como Abraão, saiu do meio da idolatria, e da confusão social, os seus herdeiros, que até agora só tem promessas, vivem e experimentam a promessa de serem reduzidos à escravidão. Esta era uma certeza para Abraão, pois o futuro lhe foi descortinado por Deus.

Um jovem - uma família - um povo escravo no egito.

Nesta participação de Deus na história, para que as promessas de Deus se cumpram a Abraão, quatrocentos anos depois, com Moisés, sendo a resposta de Deus a um povo em suas ansiedades. O Egito se torna parte do instrumento histórico de Deus para esta construção de identidade nacional, como chamado a uma revolução social, que tem início em uma família, mas tem o propósito na formação de um povo na mesopotânia antiga.

A esperança, é o que preserva um povo sendo escravo e afligido pela tirania, para que com o decorrer da história, venha a ser uma nação. Esta história da antiguidade mostra como os vínculos da esperança são fortes e são eles que impedem a dissolução da humanidade. A utopia estava preservada na história contada pela família. Uma família, que tinhas seus defeitos. Deus não estava lidando com homens perfeitos, mas no meio da humanidade imperfeita gerando na história a caminhada em direção Àquele que é Perfeito.

Moisés não escondeu, os defeitos de Abraão, e nem as suas tentativas de ajudar Deus em suas promessas. A paciência e o amor de Deus são imensos, Ele se mantém firme em Seu propósito mesmo diante das falhas humanas. As promessas a Abraão começam a acontecer com Ismael (Gn 25.16), mas a história que interessa a Moisés, é a que passa por Isaque (Gn 25.23), através de Jacó, que vem a ser Israel (Gn 27.27-29; 28.13-15; Gn 32).

Uma família onde existe mentiras, covardia, traição, falsidade, disputa de espaço. Uma família adotada por Deus para ser transformada e do seu interior, gerar a esperança da humanidade. Deus mostra como a cultura familiar, o mundo interior deve realmente estar submisso a Deus, alinhados com Deus, de fato e de verdade. É em Jacó que Israel se torna uma família, e como toda a família os dilemas estão presentes. As disputas na diversidade familiar chega ao cúmulo de levar a José, o queridinho do papai ao Egito.

O salvador da família, é aquele excluído pelos iguais, e no fim os egípcios que enterraram a Jacó, eram os filhos de Abraão preservados na história da promessa pela sabedoria de José o irmão non-grato, que investiu restituição e perdão na família. Uma família que vira um povo no Egito. Com a morte de José e de toda aquela geração (Gn 1.7), chegamos ao momento da história de Moisés.

Como já falamos, era o êxodo a primeira grande migração em massa da história da humanidade, as fronteiras geográficas estão sendo quebradas e a mudança geo-política está gerando transformação social, de um modo exclusivo. O império econômico perdeu sua força de trabalho, as nações estão em polvorosa, a estabilidade questionada, uma migração está pedindo passagem, e enquanto caminha, a sua presença e a sua notícia vai abalando as estruturas organizadas dos povos. Aqueles escravos se tornaram uma tribo nômade, a minoria está escrevendo a sua história, em direção a uma terra que já tem dono.

Um jovem - Uma família - Um povo escravo - Uma tribo nômade - Uma Nação

Este é o objetivo, ser uma nação. É por isso que Moisés começou a escrever a Torá, para gerar uma nação. É sob este pano de fundo que estudamos Gn 1-3. Quando aquele que “É”, participa, ele transforma toda a expectativa da humanidade. Então o povo está no êxodo, aprendendo a ser uma novidade para as nações, uma nação cujo Deus é o Senhor e ouve inicialmente: 

No princípio, criou
Deus
os céus e a terra

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Os desafios para os dias de hoje: a formação de um herói



Moisés é o fruto da conspiração de mulheres em favor da criança. É por isso um sobrevivente, filho de uma mulher ativa na história, é herdeiro de sobreviventes. A sua mãe e o seu povo estavam a quase quatrocentos anos em estado de servidão a um império, e o seu sofrimento aumentava, debaixo do estado de tirania.

É um sobrevivente, porque quando o deus-governador, fruto e articulador do estado totalitário, resolveu matar as crianças do povo Hebreu, para diminuir a população deste povo, duas duplas de mulheres começaram a criar as condições, para a preservação de uma criança. As parteiras, que apesar de receberem uma ordem direta do rei do Egito, tomaram a postura de desobediência civil, agiram firmemente contra as ordens do rei. Assim o rei, vendo que não poderia contar apenas com uma pessoa, aglutina o seu povo contra os hebreus.

Por outro lado, vemos a reação da mãe de um menino hebreu, que o escondeu por três meses, chegando ao limite de suas possibilidades. A angustia de uma mãe é apoiada pela presença de uma irmã, uma dupla que apela para o senso maternal de uma mulher - a filha de faraó. Um risco, uma aposta, na capacidade humana de superar a angustia do tempo, a avaliação foi simples - “Este é um menino dos hebreus”. O socorro foi rápido, a irmã prontamente apoiou o socorro e chamou a mãe, que por apoio da filha de faraó cuidou do menino. Criado como filho da filha de faraó, porque foi tirado das águas, foi chamado - Moisés.

Moisés então tem formação social egípcia, aprende os costumes do povo hebreu, e os procedimentos da família de faraó, mas seu coração é hebreu. Cultiva no seu íntimo a sede da liberdade, de tal maneira que se dispõe a matar. Cultiva no seu íntimo o desejo de justiça em meio a seu povo a ponto de se envolver em uma briga, para gerar a paz. Experimenta o medo diante de toda a pressão social, na qual viveu e cresceu - por isso foge.

Essa conjunção de mulheres atuantes na história, não eram capazes de descrever o futuro preparado para Moisés. Toda a construção do caráter de um homem, de modo adverso e excepcional, uma exceção na história, estava para preparar o mundo para um herói.

Moisés foge para Midiã, busca conforto nos herdeiros de Abraão, que estão espalhados no oriente, uma tribo nômade, um povo que sabe da história do passado, e que tem um sacerdote. Reuel - amigo de Deus - ou Jetro, que é pai de sete mulheres que trabalham e enfrentam o tempo, e as angustias da vida para ajudar a família. No seu senso de justiça e liberdade, Moisés, protege as mulheres dos pastores, garante o dia de serviço, herda uma casa e ganha uma família. No exílio, o nome de seu filho faz lembrar sempre de seu povo - Gérson - Sou peregrino em terra estranha.

Deus está construindo um homem, mas ele precisa de um encontro, ele precisa de um sonho, ele precisa de um milagre. Deus entra na história e revela o Seu propósito na história. Este encontro, transforma Moisés e a disposição de seu futuro. Moisés carrega na alma a tristeza do passado, a dor de ter que fugir e não poder ajudar aqueles que precisam, em seu coração tem a saudade de casa, a visão da tirania gerando opressão, e a rotina da vida. Tudo deveria continuar como está, até Deus entrar na história e chamar Moisés.

“Naqueles dias, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos e viu os seus labores penosos; e viu que certo egípcio espancava um hebreu, um do seu povo. Olhou de um e de outro lado, e, vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia. Saiu no dia seguinte e eis que dois hebreus estavam brigando; e disse ao culpado: Porque espancas o teu próximo?” (Ex 2.11-13)
“E viu Deus os filhos de Israel, e atentou para a sua condição” (Ex 2.25)
“Certamente vi a aflição do meu povo” (Ex 3.7)

É interessante a construção do texto desta história, pois ele nos deixa claro o envolvimento de Deus, com a história humana, de modo que Deus se apresenta com os sentidos de percepção humana e a capacidade de gerenciamento de crise. Olha, eu vi, assim como você também viu. Agora vamos conversar sobre o que nós dois vimos.

Expressões como: ouvindo, lembrou-se, viu (Ex 2.23-25), vendo, chamou (Ex 3.4-5), vi, conheço, desci (Ex3.7-8), revelam a participação de Deus na história, ele está presente, está atento, está pronto. Mas a ação de Deus, indo em direção a Moisés, proporcionando a Moisés um encontro com a sua história - “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”, e isto revela um traço importante da missão de Deus aos homens, “Vem, agora, eu te enviarei” (Ex 3.10).

Diante de todos os medos e dilemas expressos por Moisés no descortinar da conversa, Deus deixou claro que não haveria outra opção. Deus não flerta com o plano B, não existe risco para a construção histórica de um libertador, legislador, profeta, realizada por Deus e o Seu propósito para este homem. Moisés é você quem vai. Esse imperativo gera medo em Moisés - “Quem sou eu?”(Ex 3.11). As frustrações da vida, os dilemas da caminhada, o empurram para o sentimento de incapacidade - “Que lhes direi”, “Mas eis que não crerão nem acudirão a minha voz”, “Ah! Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua”. Moisés chegou ao extremo de sugerir outra pessoa para Deus - “Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar menos a mim”.

Uma coisa é interessante no texto, Deus não vai mudar os seus planos, Deus não está aprendendo a entender a personalidade de Moisés. Ele se revela como - “Eu Sou o que Sou”, aquele que não tem definição e que é se apresenta a você para te ensinar o próximo passo da sua vida, de modo que a sua vida tenha importância para a humanidade, um discipulado de perguntas e resposta em direção a algo já definido. O texto diz: “se acendeu a ira do Senhor contra Moisés”, ou seja Deus proporcionou a conversa até o limite da paciência de qualquer líder com o medo daquele que deveria ser responsável.

O chamado de Moisés, revela a marca da grande necessidade da humanidade: Deus entrando na história. A graça se manifestando educadora para que todos os homens possam entender todo o propósito de Deus. A missão de Deus aos homens, sendo executada pelos seus servos. Agora Moisés tem que se comprometer com a palavra de Deus. Observe que este chamado não foi para a salvação, mas para o serviço, só assim poderemos viver intensamente a humanidade, pois ela existe para se realizar no serviço  à missão do Eu sou. 

A Esperança existe e está presente, é uma Pessoa, que está presente, o grande desafio é sentar com Ela, e ouvir Dela, Obedecer, experimentar todo o propósito de Deus. Moisés estava com Deus, não mais apenas com os conceitos sobre Deus. Em todos os escritos de Moisés, vemos a construção de uma história de caminhada em serviço à vontade do Criador, a presença Real na história, educando, ensinando, discipulando como o que É, mas É presente na história (Eu serei contigo Ex 4.12).

Moisés não quer provar para outros a existência de Deus, ele a pressupõe. Deus Existe. Na minha opinião, realmente nunca conseguiremos provar para “os outros” que Deus existe. Este não é o propósito da Igreja. Deus existe, este é um absoluto, inegociável e inexplicável. Olhamos a nossa volta e percebemos Deus na natureza, estudamos e percebemos vários argumentos desenvolvidos para provar a existência de Deus. Todas eles são úteis e importantes, devemos realmente pensar Deus e como tudo na criação caminha na direção à Ele. Mas nada disso é suficiente para transformar o coração, tudo o que falarmos corretamente sobre Deus, é útil, mas só um milagre transforma o coração.

Outro aspecto claro para Moisés, é que Deus se revela. Deus existe, ele É. Somos nós a existência que pedimos a Deus todos os dias a permissão para existir. Deus É, e se deixa conhecer, vai ao encontro da história da humanidade, para que os homens possam entender a melhor parte do SABER, a fonte de toda a sábia criatividade, de onde surge todo o ideal, que se torna ação real e construtiva - A CRIAÇÃO.

Moisés, cresce em um mundo plural, envolto aos costumes e religiões de faraó e sua família. Vendo o contraste e podendo escolher entre duas culturas, dois povos. A bíblia não mostra a infância, nem a adolescência, as conversas, os dramas e as tramas, no conflito íntimo deste ambiente. Não é este o propósito, mas toda a construção deixa claro o Senhorio de Deus na história, conduzindo a revelação do propósito eterno no serviço do homem à missão de Deus.

A grande descoberta na história de Moisés, é Deus na história, Seu propósito e a possibilidade de ser usado como instrumento desta graça em favor do próximo. Moisés, é um instrumento em serviço ao libertador. A ênfase em todos os seus escritos nunca cai sobre Moisés, mas sobre o Eu Sou. Toda a humanidade de Moisés, todas as suas fraquezas, seu talento e capacidade, seja ele um grande fugitivo, ou um grande estrategista, nada do que fez foi fruto de sua capacidade, mas o fez impulsionado pela graça que lhe ensinava e ensinava a um povo, a estar no centro do propósito de Deus.

Um desafio para os dias de hoje: O pano de fundo



No princípio, criou Deus os céus e a terra. (Gn 1.1)

Está é a frase mais importante já expressa no cosmos por um homem. É a expressão do encontro de um homem, com o entendimento de toda a realidade. Neste encontro se descortina a grande descoberta da humanidade.

Para entendermos melhor o que estou descrevendo, vamos conhecer os autores, o momento da história quando este registro aconteceu, com os seus dilemas, e desafios, diante da construção de um futuro que se descortinava, ainda que não totalmente conhecido.

Esta é uma história de crianças sobreviventes, da revolução de escravos, da ação inteligente de mulheres, da força avassaladora do encontro de um jovem com Deus. É a história da revolução cultural, do indivíduo, na família e no antigo crescente fértil, o mundo da época e as conseqüências desta revolução para toda a história da humanidade.

Esta frase foi escrita por Moisés, durante o primeiro grande movimento de migração de massa da história da humanidade. Os registros históricos relatam cerca de seiscentos mil homens a pé, saindo do Egito, com endereço certo, mas com o tempo e o aprendizado ainda a ser descortinado. Nesta conta estão fora, mulheres, crianças e um misto de gente, que aproveitou a situação.

O destino deste povo foi o deserto, por um período prolongado de tempo e aprendizado, com o objetivo de conquistar a terra um dia prometida por Deus a Abraão. Quarenta anos sem plantar, sem colher, sempre supridos em suas necessidades, o espaço de duas gerações, para que uma pudesse aprender com o erro da outra.

O crescente fértil está mudando, o mundo está mudando.

Até este momento da história, o mundo havia sido governado, pela força da natureza, por homens que eram venerados por deuses, messias esperados, capazes de serem a solução para o povo. Esta era a esperança, um messias libertador, que se torna dono da cidade e de todos, mas que é um homem, que gera um sistema de governo e usa um meio para prender as pessoas pelo medo.

As cidades estados da mesopotâmia foram construídas desta maneira, assim também surgiu o Egito, com as força da natureza e o homem utilizando o próprio homem para o acúmulo de riqueza de poucos. Os deuses eram temidos pela força do medo, ou pela imposição da força.

É neste ambiente que Deus se revela a Abraão e neste ambiente que Deus levanta um povo para gerar a primeira nação monoteísta da história da humanidade. O princípio motivador, foi extra homem. Deus existe, se revela, se manifesta e se relaciona. A graça salvadora, se manifesta educando aos homens para que encontrem o caminho em direção a Deus e a verdadeira humanidade e relações sociais.

Neste ambiente, o mundo não era uniforme, como nós desejamos para a nossa segurança. Não existia a bíblia como nós a conhecemos, e as referências a respeito de quem é Deus se preservava, pela transmissão oral, histórias contadas na família. Existiam servos de Deus, estavam espalhados entre os povos, guardavam um ensino e uma história que era contada mas não registrada.

O mundo era caracterizado por estados fortes e opressores, as vezes eram cidades as vezes eram impérios, os deuses definiam a moralidade social, caracterizado pelo culto as deusas da fertilidade como a deusa lua de Ur, ou por homens deuses que governavam e deixavam a sua dinastia.

Não havia segurança para a fé em um único Deus, não havia uma saúde social para o desenvolvimento do cuidado com o próximo. O mundo era plural, a verdade diluída pelo domínio e manipulação de poucos que detinham o poder e limitavam a liberdade.

É neste ambiente que conhecemos a Abraão, e em cerca de 500 anos a humanidade vê surgir uma nova sociedade, um novo entendimento de nação, um novo jeito de ser humanidade.

Gênesis 1-3, foi escrito por Moisés, como a base fundamental do ensino de Deus ao povo de Israel, para que este fosse o primeiro povo monoteísta da história da humanidade. Os escritos de Moisés são a carta magna de uma nação. Toda a Torá (Gênesis, Exôdo, Levítico, Números, Deuteronômio) do ponto de vista religioso, moral e social é uma tremenda revolução, na história antiga. Ela é extremamente poderosa na sua capacidade de transformação da antiguidade e na construção da humanidade como ela deveria ser enquanto o Reino não vem. Pena que a humanidade não foi capaz de viver através de tais valores.

Na história, a caminhada daquele povo no deserto, é como o desfile de um propósito eterno, diante de todas as forças que dizem o contrário. A humanidade achava que sabia, achava que entendia, então Deus visita e começa a ensinar. A graça nos educando (Tt 2.12), estabelecendo o paradoxo - Como deveria ser?, um contraponto para o: Como é? mostrando para todos nós que: Só conseguimos ser por um milagre.

O povo de Israel se liberta da idolatria, somente após o exílio, e ainda assim, não é capaz de receber o messias, como aquele que é a humanidade como ela deveria ser. Todas as nações da terra distorcem a justiça estabelecida na Torá, e nenhuma instituição humana em nenhum momento da história foi totalmente capaz de expressar exatamente como deveria ser a humanidade. Existem momentos em que os servos de Deus chegaram bem próximos, mas a natureza humana é incapaz de permitir isso. A única representação perfeita desse marco da história, é JESUS. Por isso na nossa oração, devemos sempre pedir - “Venha o teu Reino”.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Um desafio para dos dias de hoje


É claro que na vida nós temos que fazer opções, em todos os tempos como fruto de todas as ações que ocorrem em nossa caminhada, os nossos sofrimentos, ou como fruto do nosso bem estar. Podemos olhar a vida a partir de nós mesmos, a partir da comunidade ou podemos escolher olhar a vida a partir de uma perspectiva extra que nos leva a questionar e reinventar todas as possibilidades que existem para o futuro.

  1. A humanidade precisa olhar para o futuro. Ela precisa de metas, de desafios, em todas as suas descobertas, o que ela esta fazendo é transformar a história.
  2. A humanidade precisa olhar para o passado para aprender. O passado tem muito a nos ensinar, não podemos perder a história, nem a verdade nela presente, em todas estas situações, sempre haverá várias formas de contar a história, a soma de todas elas nos faz chegar bem perto do que poderia ser a verdade, mas dificilmente por métodos humanos, vamos construir toda a verdade, é por isso que existem muitos pontos de vista a respeito de um mesmo assunto.
  3. A humanidade precisa olhar para o presente, pois é nele que construímos o futuro. Somos agentes na história, somos agentes na família, somos agentes na nossa vida individual. Não existe nada melhor do que viver, viver no tempo e no momento da sua história.

Talvez você olhe para o passado e pense, que viveria melhor em outros tempos. Impossível, você está no lugar certo, na hora certa, com os recursos certos, mesmo que a vida tenha lhe roubado a esperança. Reencontre, ressurja, sonhe com um futuro desejável, almejado, reconstrua, talvez não esteja nas tuas mãos, mas está ao teu alcance, quem sabe você vai deixar um legado. Seja um reformador, talvez até um refundador.

É no futuro que queremos chegar, desta maneira, a vida é apenas uma estrada, um caminho que devemos perseguir. Por onde passar, quais meios utilizar, diante de tantas opções e tantos valores, com tanta coisa disponível nesta terra, o que realmente importa escolher. Qual é a grande descoberta da humanidade, que nos dá esperança para o futuro, e nos faz realmente entender que vale a pena viver.

  1. Aquela descoberta que gera uma revolução cultural na sua intimidade: transforma os seus valores, a partir da transformação do seu coração, quando você se encontra consigo mesmo em todo o potencial do seu ser. Quando você olha para o futuro, e o futuro define quem você é no seu presente.
  2. Aquela descoberta que gera uma revolução cultural no seu ambiente mais próximo: família, amigos, lugares de preferência, métodos de decisão nas suas escolhas. 
  3. Aquela descoberta que gera uma revolução cultural na história, fruto de quem você é e do que você fez.

Desta maneira, vamos pensar em qual é a maior descoberta da humanidade? 
  1. O controle do fogo que gerou segurança e trouxe conforto?
  2. A roda que permitiu ir mais longe e criar mecanismos capazes de melhorar a vida?
  3. A capacidade do registro escrito que melhorou a comunicação e  deixou herança, possibilitando o conhecimento do passado para a reinvenção do futuro?
  4. O domínio da combustão para impulsionar as máquinas que melhorou todas as áreas da vida humana?
  5. O desenvolvimento das ciências e tecnologia que cria conforto, que gera sonhos e prolonga a vida: como a penicilina ou a comunicação?
  6. O acesso a escola, como direito de todos que diminui as diferenças sociais.

Todas estas descobertas ou invenções, fruto da capacidade humana de gerar sociedade, e de construir o futuro, esbarra na violação do próprio homem à sua humanidade e a do próximo. O homem é capaz de fazer de todos os seus saltos para o futuro, um meio de humilhar, envergonhar, maltratar, a si mesmo e ao próximo, chegando ao cúmulo da morte da alma ou do ser. Tudo o que a humanidade construir, e tudo o que ela pensou um dia, já foi utilizado para prejuízo alheio e a separação social.

Será que a humanidade sem um ponto regulador externo será capaz de resolver os seus problemas?

Entendo, que quando respondemos ás perguntas:
  • Qual a maior descoberta da humanidade?
  • Qual o melhor ponto de mutação da humanidade?
  • Qual o grande encontro que transformou toda a história?

Seremos capazes de retornar, aos caminhos, que realmente fazem a humanidade ser totalmente humanidade, de uma maneira diferente, diferente do que tem sido apresentado hoje na nossa formação-sócio-educacional.

Esta visão que outrora fez parte dos valores de formação individual, hoje  na história, está restrito a alguns círculos dominicais. Estes valores e princípios são chaves que abrem o futuro, para todas as áreas da sociedade, provocando a maior de todas as revoluções culturais da história da humanidade.

Este é o nosso desafio, olhar para um passado bem distante, encontrar os valores um dia ali construídos, reaprender com eles, descobrir novamente como viver na mesma esperança e balizar novamente a humanidade na sua peregrinação ao futuro.

É esta a importância do livro de Gênesis, no capítulo 1-3, na perspectiva daqueles que viveram na época em que este texto foi escrito: .
  • Devemos pensar a partir de seu escritor, Moisés, com o propósito que ele tinha em sua vida - obediência a Deus.
  • Devemos pensar a partir da perspectiva do povo para quem este texto foi escrito, em vista de quem eram e do que viriam a ser - aprendendo a ser monoteísta.
  • Devemos pensar a partir das respostas que este texto dá para aquele povo, e como podemos aprender com isto - caminhando pelas veredas antigas.

Somente assim, poderemos entender a maior revolução cultural da história da humanidade a partir de um jovem, até os princípios fundamentais de uma nação. Uma vida que nos deixa como herança a maior descoberta da humanidade, aquela diante da qual todas as outras se submetem, como princípio externo a humanidade, balizador de toda a humanidade.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A perspectiva da família da aliança como agente transformacional: Porque eu sempre quis mudar o mundo!


Estava lembrando hoje dos sonhos que tive durante minha vida, as imaginações e as conversas que fizeram parte dela, logo depois nos momentos que comecei a entender o mundo que vivia. Os discursos feitos na praça, só entre os amigos, querendo mudar a política aos 14 anos; a vontade de ser guerrilheiro para acabar com a corrupção enquanto ia para a escola; o desejo profundo e sincero de uma utopia transformacional para implantar o paraíso social. Seria isso um dia possível?

Lembro que sempre acreditei em heróis, mas nunca os achei na vida real. Super homem, Batmam, Flash Gordon, eram os ideais da realização. Como diz a música, até que um dia acordei! Devia estar com 12 anos. Mas nesta época, o que o governo fazia com o país, não definia os valores que deveriam ser ensinados dentro de casa. Quem ensinava a moral, a honra, o valor do trabalho, o valor da educação e o que deveríamos entender por sexualidade era a família, ou como aconteceria a disciplina interna de um lar, eram os pais.

Este tempo passou, e a "Constituição do Povo", aquela feita como a expressão de um sonho de liberdade de uma nação, mostra-se cada vez mais como o instrumento da ingerência de um poder e de como este poder vai definir o que nós pensamos. Todos os ideais de ética e todos os votos outrora dados, e todas as vezes que me recusei a dar um voto, se tornaram nulos, ou sem sentido no caminho que percebemos hoje.

O tempo passou para mim também, e hoje ainda quero mudar o mundo, por outra perspectiva, implantando nele os valores e padrão bíblico. E hoje o que mais me chama a atenção a respeito do que leio e ouço no Brasil é a crescente campanha a favor da redução da maioridade penal. Parece que isso é reflexo do aumento do sentimento de insegurança. Então como mudar isso? Seria isso um dia possível?

Quantos anos tinha Davi, quando trabalhando para seu pai, salvou o rebanho de uma ursa e de um leão? Qual a Idade de Samuel, quando ele começou a ouvir Deus e liderar a história de uma nação? Qual a idade da irmã de Moisés, quando ela em obediência a mãe, salvou a seu irmão, na maior armação da história da humanidade? Qual a idade de Maria, quando o anjo avisou para ela que estava grávida?

Ainda que o tempo tenha mudado, a maneira como Deus dá responsabilidade para estes jovens adolescentes, mostra que Deus, muitas vezes vê as pessoas de uma maneira muito diferente da nossa. As dificuldades da idade, não trazem na bíblia a ação de Deus pela dó que se tem por causa das dificuldade, mas são vista como oportunidade para se formar o herói, para tomar as rédeas da história, de se construir o futuro.

Naquele tempo não era o estado que deveria nos dizer como pensar, mas a família que deveria achar o caminho para a construção do futuro de cada um. Então todos tinham responsabilidade com a família e com a vida com Deus, e a sua expressão na sociedade. Pergunte a mãe de Moisés e a Maria e José, o que eles achavam das decisões estatais de sua época. É por isso que para o pensamento cristão o estado não legisla no interior da vida familiar, e quem define os valores familiares são os pais. Isso incluiria a idade da criança começar a estudar, e os métodos a serem utilizados?

O conceito de responsabilidade construído dentro da família da aliança, é o principal valor para a libertação do Brasil do sentimento de insegurança e da própria insegurança. A família não é vítima, mas agente de transformação. Por isso, uma sociedade que transfere para o estado, a definição de como cada criança deve crescer e assumir responsabilidade, gera famílias dependentes e vítimas do ambiente, que sempre acham um culpado, mas nunca lutam para mudar a história, pois quem deve lutar é o estado criando mais facilidade. A responsabilidade esta na mão do outro, e eu só tenho que transferir minhas ações.

Existem muitos testemunhos bíblicos, que caminham na contramão desta história, dando a nós modelos de como devemos nos portar diante das demandas deste momento da história, mas gostaria de enumerar alguns pontos inegociáveis para a família da aliança:
  1. Na família da aliança, os país são os responsáveis em prestar contas a Deus pela direção dada às crianças;
    É importante lembrar, que os filhos foram dados por Deus, como herança aos pais, e são estes os responsáveis para a construção da história e por oportunizar o desenvolvimento dos dons das crianças na sua capacitação de agentes em sua própria história.
  2. Na família da aliança, abrir mão da disciplina, é privar a criança do amor.
    Na bíblia, a vara não deve ser retida de ninguém, e Deus é modelo para isso, porque Deus disciplina a todos quanto ama;
  3. Na família da aliança, ninguém é vítima da história.
    É dever da família, em Deus achar os caminhos para que todo o projeto de Deus na família se realize, e a partir da família haja transformação social. Devemos lembrar que a revelação bíblica que transformou a história no crescente fértil aconteceu primeiro com um jovem, - Abraão, mas se tornou uma família, - o Deus de vossos Pais - Abraão, Isaque, Jacó, e depois uma nação Israel.
  4. Na família da aliança, o mundo deve se alinhar com ela ou ela caminha contra a correnteza.
    Ser transformado, pela renovação da mente e não se conformar com o século que vivemos é o maior desafio da família da aliança. Dentro de casa, nós aprendemos de Deus, e entendemos os motivos para que vivemos no nosso tempo da oportunidade. Fomos gerados com os dons necessários para sermos transformacionais na época em que vivemos. É por isso que a minoria cristã, conquistou o império romano sem usar armas, e se perdeu quando deixou de ser família e preferiu ser império, e transferir responsabilidade.
  5. Na família da aliança, a sociedade encontra descanso.
    De quem é a responsabilidade pelo próximo? É minha, diriam os heróis da fé! O órfão, a viúva, o forasteiro, o estrangeiro, o doente, o necessitado, encontra descanso no próximo. Este é o ensino do amor, que devemos amar o outro, como a nós mesmo. Isto é poderoso, sair do privatismo, do isolamento e chorar com os que choram, rir com os que riem, servir de guarida.
  6. Na família da aliança, os heróis são inspirados.
    Pais visionários, mães influentes, homens e mulheres que preparam os seus filhos para servir a sua geração como Davi, são os grandes responsáveis, pelo mundo ocidental, pelas grandes transformações sociais da história da humanidade. Soluções como uma nação monoteísta, no antigo crescente fértil politeísta; um novo conceito de sociedade no meio da sociedade greco romana; a possibilidade da alfabetização de todos, de universidade para todos, de governos democráticos, abolição de escravos, a distribuição de renda do feudo para o povo, orfanatos, hospitais, sindicatos, heróis sociais e da fé.
  7. Na família da aliança, criação-redenção-consumação são os pilares da esperança
    Todos entendem o mundo a partir da mente do Criador, vivem no mundo servindo com os dons e talentos disponíveis pelo criador, a serviço do redentor, para que a humanidade seja tirada do império das trevas, e entenda o que é o Reino de Deus, até que o redentor volte para a consumação de todas as coisas. Não são passivos na história mas agentes transformacionais.

Enquanto você desenvolve os seus dons na caminhada da vida,não seja vítima, ou agente passivo na história à espera da volta do messias. Você vive no tempo oportunizado por Deus, para servir a sua geração com Deus e tem talentos assombrosamente desenvolvidos no milagre da criação no ventre de uma mulher, ou no desenvolver da sua história, potencializados e consolidados. Não seja vítima, seja transformacional, seja um herói da fé.

Não seja vítima para que quando chegar quase no fim dos seus dias, não esteja chorando os anos que se foram, e as oportunidades perdidas, alimentando o ócio sustentado pela aposentadoria, em um descanso depressivamente mortal e letal, que te leva a perder o significado e por fim a alegria de se viver no Senhor.

Não seja vítima, não espere dó. Dó não é um sentimento que surgiu do coração de Deus, amor sim, mas amor, gera agentes responsáveis na história. Deus não vai mudar de idéia diante das nossas irresponsabilidades, e a condenação eterna vai mostrar isso. Dó não é um sentimento que inspira a humanidade ao futuro, mas relega a humanidade ao coitadismo.

A grande dor da humanidade, a morte, é uma das grandes bençãos de Deus, para a capacidade criativa humana. A morte é responsável por criarmos condições para evita-la, ou por criamos melhores condições de vida. Deus não nos privou da morte por dó, Ele nos deu a morte como consequência do pecado, mas por amor usou a morte para nos desafiar a criatividade. Deus não nos privou do sofrimento por causa da dó, mas por amor nos deu o sofrimento e enviou Cristo como modelo para enfrentarmos o sofrimento, e ele venceu as aflições do mundo e a morte, e nos mostrou como fazer. 

Não aceite o coitadismo do mundo atual, não aceite o seu "carma", em todos os períodos de sua vida, e principalmente na velhice, viva, viva intensamente com o espírito dos profetas, dos apóstolos, dos mártires, dos avivalistas, dos puritanos, dos missionários, com o Espírito Santo do Senhor, inspirando sonhos, visões, desafios. É isto o que realmente transforma a história, viver agindo e marcando a história submisso à boa mão do Senhor.