domingo, 23 de março de 2014

A respeito de um encontro

O ano era 1996 ou talvez 1997, eu e a Cinthya estávamos namorando, noivando e nos preparando para casar. Vivíamos intensamente nossos projetos pessoais e o nosso envolvimento com algumas situações que estavam acontecendo em Cuiabá.

No centro da cidade existia um grupo de crianças que viviam na rua e estavam juradas de morte. Algumas pessoas se envolveram e tentaram auxiliar estas crianças. Eu e a Cinthya fizemos amizades, encontramos este grupo na rua, levamos lanches nos becos, e certo dia quando voltávamos de algum compromisso passamos pela praça Bispo na Prainha, quando um grupo de mais ou menos 19 crianças correram atravessaram a avenida pararam os carros e nos cercaram do outro lado.
Parei o carro na calçada, tinha garotos no capo, alguns deles entraram pela janela, saí do carro, parecia um enchame de crianças gritando, tio, tio, tio. Lembro que aqueles que estavam no ponto de ônibus, estavam assustado e eu precisei falar, calma, esta tudo bem, eles são nossos amigos.
Rimos, brincamos, nos divertimos e dissemos adeus, foi um dos momentos mais marcantes em minha vida, lembro ainda hoje de alguns rostos e do sentimento presente naquele encontro. Saudades de cada uma daquelas crianças.
Foi duro ver a morte de alguns ainda na infância, e saber do destino de crimes de outros durante toda a vida. Mas ontem Deus me proporcionou um dos encontros mais importantes da minha vida.
Como consequência da encarnação, vem a adoção, quando Cristo resolve participar em nossa vida, ele vem para nos incluir na vida Dele. Como conseqüência da nossa pregação, passamos a ajudar ao Seu Jorge, um homem que vive as durezas da vida como conseqüência de ser usuário de maconha desde os 13 anos de idade. Uma vida complicada com a perca de todos os sonhos de desejos da infância até o uso de pasta base e a consequente miséria destas escolhas.
Mas como em todo o processo ontem ele resolveu desistir. Quando se encontrou com o irmão de sua ex mulher. o “Presbítero Paulo”, um homem de oração que está na Assembléia de Deus Madureira, um homem sério com a palavra de Deus e com 5 filhos, junto com a sua esposa Eidinara. O Paulo, pergunto para o Jorge, - Você tem certeza disso? E foi orar pelo Jorge.
Quando me encontrei com o Jorge novamente, eu entendi que deveria falar com o Paulo, este por sua vez tinha ouvido Deus falar para vir falar comigo. Quando vi aquele homem franzino chegando com sua família, não seria capaz de entender o tamanho da graça que Deus estava descortinando diante dos meu olhos naquele momento. O Espírito Santo escreveu a história para aquele dia.
Conversamos, percebi a seriedade bíblica daquele casal, e os chamei para nos ajudar com o Jorge. Enquanto ouvia o testemunho do Paulo ao seu Jorge, ele disse: - Enquanto vivia na rua, cheirando cola e usando drogas, virei bandido, e ninguém foi capaz de me enfrentar a não ser minha mãe e mulher. 
Interpelei, Paulo: - Quando vc viveu nas rua? Nos idos de 1996! - Você fazia parte do grupo do Roniclei? - Sim! Você estava no dia em que um gol preto parou na praça bispo? SIm, mas não cheguei perto, pois tinha medo!
Quando olhei para aquele garoto de rua, que virou um pregador, vi que o Espírito Santo tinha dirigido a história até este momento. Nosso choro, nossas lágrimas e o pedido que guardo no coração por aquelas crianças diante de Deus, estava na minha frente como resposta de Deus na forma de um homem.
Nunca abracei alguém com tanto desejo de abraçar! Um encontro que confirma sonhos, que inspira o futuro, que afirma a caminhada. Um velho amigo, um novo amigo, aquele que um dia foi ajudado nos ajudando a ajudar o seu Jorge.
Obrigado Deus por me mostrar o Paulo




sábado, 17 de agosto de 2013

Vida ou morte, uma proposta para a humanidade


Eu tenho feito uma caminhada para entender o “Antigo Testamento”, mais especificamente o texto que chamamos de Lei, o Pentatêuco, os cinco primeiros livros escritos por Moisés - Gênesis, Exodos, Levíticus, Números e Deuteronômio. Isto Motivado por um momento da humanidade, em que é supervalorizado o amor, e isto se estabelece como a principal marca do caráter de Deus.

Parece que todos nós gostamos de eleger textos prediletos para criar nossos conceitos de Deus e também afirmarmos o que acreditamos sobre o cristianismo. Todos, queremos Deus à nossa imagem e semelhança e as afirmações a respeito dele devem ser politicamente corretas. Assim constituímos a religião que nos agrada e nos ajuntamos para nos identificar com um grupo, que expressa e defende nossa visão.

Nestes dias, a transformação cultural proposta pela intelectualidade humana caminha na direção da desconstrução do discurso cristão e as consequências dele para a sociedade. Quanto mais o tempo passa o desafio para o cristianismo será mostrar a ortopraxia (a prática correta do cristianismo) como solução para a humanidade, ela será a porta de entrada da humanidade para o retorno a ortodoxia.

Por isso resolvi estudar o Pentatêuco, pois é a volta à raiz de todas as coisas, e nela em especial em Gn 1-2, está o embrião da revelação do propósito eterno. Aquilo que Moisés viveu e praticou, autenticou o que escreveu. Acho que por isso quanto mais estudo mais me entristeço com a abordagem que separa Novo testamento de Antigo testamento, tempos da Lei e da graça, tempos de justiça e de amor.

Confesso que na perspectiva que tenho lido, vejo a imensidão da graça de Deus demonstrada no serviço amoroso de Deus à humanidade. Estes cinco livros, escritos por Moisés, expressão o coração paterno de um Deus amoroso, utilizando um homem que antes frustrado com seus métodos agora, feito profeta, é também pastor e aprendiz do que Deus pretende fazer na história. O coração pastoral de Moisés está presente na formação de uma nação, mas nós sempre gostamos de ver as regras e os limites ao invés da liberdade.

Princípios para esta perspectiva:
  1. respeitar a época do autor;
  2. respeitar o público que ouve;
  3. respeitar o propósito do registro;
  4. respeitar o momento existencial de todos;
  5. entender a acomodação do ensino de Deus ao momento daqueles que querem aprender produzindo transformação em obediência a Deus na história;
  6. entender os princípios universais que podem transformar a história da humanidade do que é para o que deveria ser.


Quero neste breve espaço deixar registrado apenas três coisas que são fundamentais para Moisés:

1. Deus
Para que provar que Deus existe?  Para que provar que ele não existe? Para que provar qual Deus é verdadeiro? Para Moisés, Deus é antes da existência, e ainda seria Deus antes de existirmos. Então mesmo que não houvesse a existência Deus é! E Ele, na expressão de Seu gracioso amor: criou, e propôs a inclusão na eternidade.
O Propósito Eterno
A linha mestra que permeia todo o escrito de Moisés, e depois liga a criação à consumação, o que seria antes ao que será depois. O propósito eterno é a idéia do Criador para todas as coisas. Esta descrita de forma resumida em Gn 1-2; mas desenvolvida em todos os livros. Ela toma por base a pessoa do Criador, pois a realidade última é uma pessoa. O fundamento de toda a existência é pessoal, e completa em Si mesmo.
Deus é! E,
*graciosamente compartilhou Sua inteligência criando;
*graciosamente compartilho Seu Ser formando a humanidade;
*graciosamente compartilhou relacionamentos inspirando novas relações;

A Humanidade
Em toda a unidade cosmológica da criação, onde toda a interdependência acontece e podemos desvendar pela inteligência compartilhada por Deus a nós, a humanidade é a expressão da criação que partilha sua dependência da criação e do Criador.
Neste caso, sair da criação, significa deixar de existir, destruir a criação significa destruir a si mesmo, mas principalmente sair do Criador, significa deixar de significar, deixar a fonte de toda a expressão de quem somos.

A escolha para livrar-se do criador fez a humanidade se tornar o senhor de si mesmo. E como senhor deve suportar toda a vida. Como isso não é possível fora da fonte, que a tudo provê, a humanidade é incapaz de suportar o peso da história do cosmos. E o cosmos é incapaz de manter uma humanidade sem Deus. Esta história traz sobre a humanidade a morte, e a própria humanidade se auto destrói, acaba com sua casa, relações e a si mesmo. Ela mata, gera relações mortais, morre e continua indo em direção à morte.

Por isso toda a ação de Deus nos escritos de Moisés é a possibilidade do retorno ao propósito eterno, ao aprendizado com o criador, que impede o aumento do mau restringindo a capacidade humana de se tornar “deus”. Deus graciosamente se revela na história afirmando, estou aqui a teu favor. A humanidade continua falando não ao Criador. A humanidade prefere a si mesma na sua independência.

Para Moisés, esta história será trilhada em direção ao futuro, por duas escolhas possíveis:
  1. Deus é o centro e eu construo tudo a partir de Deus
  2. A humanidade é o centro e ela viverá independente de Deus.

Entre estas duas escolhas possíveis, as boas novas que permeia todo o Pentatêuco é que Deus vai estar presente na história com possibilidade de ser achado, transformando, restringindo o mau. Permitindo à humanidade co-criar sob a tutela de Deus novos entendimentos e assim transformar na história o que ela mesmo destruiu.

Assim como consequência temos, duas propostas de sociedades:
  1. a humanidade nega Deus como revelada por Moisés e assim produz sua própria história;
  2. a humanidade volta-se para Deus e vai reaprender na história a realinhar a sociedade com propósito eterno de Deus, esperando um futuro redimido ao propósito eterno;

Mas nenhuma das duas será capaz de alcançar a perfeição, a diferença é onde colocam a esperança e a decepção. Basta olharmos aquele povo, que apesar de serem escravos, são chamados a sair, e tornam-se uma tribo nômade no deserto, aprendendo, desvendando como ser uma nova sociedade, para se tornar uma nação que vai abençoar nações.

Deus não entrou na história para corrigir os erros da humanidade. Ele revela à humanidade a obrigação dela mesma assumir a responsabilidade de construir a história em direção ao propósito eterno de Deus.  É a humanidade quem agora deve ir ao encontro da  esperança no Criador e assim se re-orientar em Deus durante sua caminhada na história.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Um delírio!

É eu tive um delírio! Ao tentar interpretar os tempos, procurando discernir os caminhos da história.

Hoje temos o povo nas ruas, e no meio do povo tem todo tipo de gente e eleitor. Temos também aqueles que usaram o FACEBOOK para criar as páginas de manifestação, espero realmente que eles não sejam partidarizados!

Temos os prós e os contras os que não entendem e os que acham que entendem. A esquerda totalitária e a direita egoísta. Aqueles que estão nas ruas e os que estão em casa, alguns querem outros fora da rua.

Temos o governo que quer se manter e se fortalecer afinal esta chegando a eleição e parece que a campanha já esta nas ruas. Mas também temos os governados que querem transformar. 

Temos,
Uma nação a se encontrar, 
Todos tem algo a falar,
Mas qual caminho trilhar,
Qual nação o Brasil vai se tornar?

Neste momento comecei a delirar, e me encontrei fora dos tempos e das épocas, olhei, vi e ouvi uma nação.

Vi uma nação que nenhum dos grandes teóricos sociais foram capaz de descrever, uma surpreendente expressão voluntária e popular de liberdade participativa que não foi pensada nas universidades. Vi a verdade e a confiança na comunicação.

Vi uma nação com professores mais valorizados que políticos e mais queridos que artistas e esportista. Vi escolas mais atraentes que palácios e mais inspirativos que os jardins mais famosos da história. Vi alunos realizados em um ambiente de descoberta, construção e transformação. Vi uma escola que ensinava a aprender e a descobrir o conhecimento para transformar a história.

Vi hospitais mais aprazíveis que hotel 6 estrelas, servindo toda a população. Vi profissionais protegidos pela segurança social e com capacidade de atender a todos com tempo suficiente, empoderados com todos os recursos possíveis e com pesquisa médica tão desenvolvida que é capaz de criar novas soluções e partilhar com o resto do mundo.

Vi novas tecnologias surgindo nas garagens das casas. Vi soluções para a humanidade sendo partilhadas como propriedade da humanidade, em todas as áreas da necessidade social. A época das marcas e patentes já havia passado, vi generosidade.

Vi um estado democrático de direito funcionando em todas as suas responsabilidades. Vi um sistema jurídico de confiança, solução e paz. Vi que todos eram responsáveis por seus atos e tudo se resolvia em menos de um ano. Vi magistrados como parte do povo, vivendo no meio do povo como agentes de paz e descanso. Vi restituição, restauração, reintegração e esperança para o povo.

Vi que as nossas cidades eram lugares aprazíveis de se estar, as nossas casas não eram mais os presídios de hoje, não tinham muros ou cercas, e os carros dormiam nas ruas, com a chave na ignição. Ninguém tinha mais do que precisava e menos do que deveria ter. Havia gozo e satisfação.

Vi que no lar se decidia a educação moral, social e espiritual. Vi inspiração e segurança para empreender, errar e aprender com os erros, Eu vi a fidelidade e a cumplicidade.

Vi as pessoas indo e vindo, de carro, a pé, bicicleta, ônibus, trem ou avião. Vi todos serem responsáveis uns pelos outros Todos sabiam aproveitar do privilégio de se locomover exercendo o direito de preservar a vida do próximo. Vi estradas por onde todos passavam, vi fluxos contínuos de trânsito e não ouvi a buzina. Eu vi a alegria.

Vi indústrias responsáveis com o meio ambiente produzindo a todo vapor, vi o comércio vendendo, e o serviço agradando, vi contratos cumpridos e a alegria no retorno do investimento. Vi a sociedade com capacidade de gastar sem precisar se endividar, vivendo a vida sem parcelas de financiamento.

Vi a produção no campo se multiplicar a cada ano, onde ninguém precisava de mais terra e todos estavam satisfeitos. Ví o índio preservando suas culturas e vi as crianças indígenas salvas da morte. Ví o agricultor e o índio juntos aproveitando e conservando, vi matas produzindo em pé e a terra produzindo onde não havia mata. Vi o animal silvestre preservado, mas também servindo de alimento. Vi águas fluírem limpas para beber, com peixes servindo para as vistas, a diversão e alimentação. Eu vi a bondade no campo.

Vi o mundo onde o ouro servia de asfalto, e o cofre do banco central vazio, vi as pessoas sendo mais importantes que as coisas. Um lugar onde o ter e a troca se davam pela generosidade e gratidão. Vi empréstimos sem juro, e pagamentos devolvidos para ajudar ao próximo, vi a terra voltar ao último dono como restituição. Vi o povo honrando um ao outro com oportunidade. Vi um país onde não havia classe social, não havia lugares melhores ou piores. Eu vi a benignidade beijar graça.

Eu vi gente, servindo a nação pelo desejo de servir, sem salários ou retribuição. Vi aqueles que abriram mão de ter mais para servir. Vi que não havia partidos políticos, mas as pessoas exerciam a capacidade de alimentar a paz, preservar o direito, manter a justiça, apenas representando o povo.

Vi um país dividido em pequenos setores, e de cada setor saía seus representantes, vi eleições sem gastos de campanhas, pois eram eleitos os vizinhos, aqueles que moravam entre o povo. Vi que de cada setor saía um morador para a nação, 1 para o município, e 1 para o estado. Gente do povo, abnegados, pessoas que muitas vezes pagavam para servir e nada recebiam em troca. Entre estes representantes o povo indicava o executivo, aquele que seguiria as ordens a serem cumpridas diante da necessidade da nação. Vi tudo funcionando. Vi a verdade nas relações sociais.

Vi todos trabalhando e todos recebendo, vi a valorização da dignidade humana, por simplesmente ser. Todos os dons e capacidades estavam disponíveis e todos eram retribuídos por ser. Ví só o preguiçoso sem comer, mas também vi a oportunidade disponível sendo rejeitada e vi a oportunidade aproveitada. Ví o político ser voluntário e o gari recebendo pela dignidade de ser.

Eu vi dignidade e satisfação, paixão e realização, respeito e cumplicidade.
Eu vi o prazer eu vi a liberdade. 
Eu vi a sabedoria construindo na diversidade.
Eu vi a paz no contraditório e a paciência no aprendizado.
Eu vi o acordo e a discórdia, vi a amizade em meio a diferença.
Eu vi a vida sendo preservada com esperança.
Eu vi crianças correndo na rua.
Eu vi a Inclusão e a diversão de mãos dadas.
Eu vi o principal produto de exportação - a humanidade em suas relações sociais como jamais fora visto.
Eu vi uma nação.

Ao olhar a história, descobri que tudo tinha começado por apenas R$ 0,20,  e a partir daquele instante uma nova nação começou a ser pensada, todas as relações foram reinventadas. 

Mas pode ter sido apenas um delírio, afinal para vivermos tudo isso talvez precisemos reinventar o que é ser humanidade.

Precisamos de uma nova humanidade!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Somos brasileiros?


No princípio, éramos povos, por volta de 300 etnias, vivíamos com as mais diferentes culturas, espalhadas pela terra que hoje chamamos de Brasil. Nossa terra, apresentava, uma exuberância natural de povos, línguas, tribos mas não éramos uma nação. Nós tínhamos diversidade cultural, linguística, construída na história pela generosidade de Deus, ao nos dar uma variação tão grande de ambiente também. Celebramos a diversidade.

Os portugueses, foram os primeiros visitantes, chegaram sem família, para conquistar tesouro. Conquistaram nossas mulheres a força! O Eli, da tribo Ticuna, por isso chamado de Eli Ticuna,  nos ensina, que antes éramos índios, e a partir de um estupro, nasce o brasileiro. Fruto da força do português, com a obrigação servil da mulher índigena. Somos filhos bastardo.

Muitos portugueses vieram fugidos, alguns porque deveriam pagar por crimes, outros por que não tinham mais como encontrar trabalhos em sua terra, outros fugiam de Napoleão. Vieram para a terra onde não haveria pecado, e todos teriam oportunidade. Vieram para conquistar terra e riqueza. Eram sonhadores.

Após dividirem as terras, os portugueses resolveram trazer a força trabalhadora para gerar riqueza, e aumentar a capacidade do império. Chegaram os negros, a força trabalhadora, era assim que o império se movia. Esses viviam debaixo da opressão, arrancados da vida, da família, as vezes traídos pelos seus. Mais uma vez as mulheres foram forçadas, e geraram filhos. Mais um brasileiro estava nascendo.

Quando veio a abolição e posteriormente a república, começamos a construir o Brasil, surge a nação. Celebrávamos a diversidade, nós nos chamávamos brasileiros. Índios, portugueses que aqui viviam, negros, e os filhos da mulheres, negras, índias e brancas que aqui foram gerados, como brasileiros.

 A terra da paz, da música, onde para tudo se dá um jeito, onde tudo que se planta colhe, terra sem pecado, terra da oportunidade,  terra da celebração, que durante as grandes guerras deu refúgio a muitos: Austríacos, Italianos, Alemães, Franceses, Holandeses, Japoneses,  entre outros que vieram antes ou depois. Somos pioneiros, brasileiros.

Nós somos Brasileiros, celebramos a diversidade, somos filho bastardo, sonhadores, somos pioneiros, somos forasteiros, somos colonizadores, conquistamos a mata os campos, do Sul ao Norte, do Leste ao Oeste. Somos a maior nação do sul e temos a maior miscigenação transcultural da humanidade.

Parece que Deus realmente preparou grandes coisas para nosso país:
  • a diversidade étnica: somente vista na promessa da volta de Cristo, quando todas as nações tribos e raças virão e se dobrarão diante do criador. Por isso somos bem vindos a todos os países do mundo, e todos gostam do que gostamos, principalmente futebol;
  • a diversidade cultural: capaz de nos fazer tão diferentes entre nós mesmo, que as vezes disputamos para ver quem é melhor, puro egoísmo, pois este é um dos motivos que nunca deixaremos de superar as crises, pois nossa capacidade criativa de adaptação é única no mundo moderno;
  • a diversidade linguística: todos falamos português, mas ao mesmo tempo não falamos o mesmo português, usualmente estudamos o mesmo português, mas: Quem liga realmente para as regras da gramática? As vezes acho que falamos o brasileiro, dos panpas, das araucárias, do norte, do nordeste, do pantanal, da amazônia, da cidade, do campo. Cada um fala do seu jeito, mas escreve como somos obrigados. Podemos lembrar da diversidade línguística ainda falada pelos Índios Brasileiros.
  • o otimismo: Será que alguma coisa pode dar errado? Não! Vai dar certo! Estamos indo em direção ao futuro, a cada crise, a cada quebra do mercado, a cada safra, quem poderá nos impedir? Somos os campeões em superação!
  • a generosidade: nossa capacidade de investir no que acreditamos, sem nem sempre termos retornos é enorme, mas principalmente a nossa capacidade de incluir culturas diferentes nas suas expressões pessoais, permitindo que cada pessoa diferente se sinta livra em nossa companhia, nos torna grande.


São estas características que fazem o mundo sempre olhar para o Brasil. São características que fazem o mundo esperar pelo Brasil. Deus preparou uma nação que lembra a glória de Deus espalhada entre as nações com imensa capacidade multi-relacional, que faz esta nação ter um chamado especial de Deus.

Somos Brasileiros!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os desafios para os dias de hoje: A revolução cultural




Eu Sou o que Sou. Eu Sou me enviou a vós outros. O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração. (Ex 3.14-15)

Quando Moisés pergunta o nome de Deus, como um homem de seu tempo, afinal naquele tempo todos os deuses tinham nome, Deus se revela, a partir do passado na história da humanidade na sua caminhada com homens, ensinando na história, e demonstra que deste modo será lembrado no futuro. Este texto, é a base do modelo revelacional registrado por Moisés, em seus escritos. Moisés conta histórias para um povo, histórias que aconteceram no passado, e que trouxeram aquele povo para o momento em que estão vivendo.

Aquele que um dia foi salvo, que foi criança no palácio de Faraó, que foi um jovem impulsivo a ponto de matar por justiça e liberdade, agora é um senhor, líder de escravos fugitivos, nômades, que peregrinam pelo deserto, as vezes resmungando, sendo quebrados e quebrantados, vencendo guerras, e perdendo a esperança a ponto de perder a herança. Este povo será uma nação, e para ser uma nação terá que lembrar do passado.

Moisés está construindo uma identidade nacional, cujo primeiro grande herói é honesto o suficiente, para dizer que ele é apenas uma parte da história. Deus é responsável por tudo, e Deus começou isso no passado. Moisés é um revolucionário, que faz a transição para uma nação, mas não usufrui de benefícios exclusivos de sua posição. Este é Moisés, que diz, somos todos filhos de Abraão.

Abraão, não é a origem de tudo, mas a base da esperança, ensinada a Moisés. Moisés ainda relata histórias, da vida com Deus que antecedem a Abraão:
  • Enoque andou com Deus (Gn 5.24)
  • A partir de Enos se começou a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26)
  • Noé, é um homem justo e íntegro que andava com Deus (Gn 6.9)
  • Melquisedeque, foi sacerdote do Deus altíssimo (Gn 14.18)
  • Além da história de Jó que talvez anteceda a Abraão.

Estes são registros da vida com Deus, antes do Templo, não existia a bíblia, nem o conhecimento do chamado de Deus a Abraão. Mas é a Abraão que Deus visita, além do rio, (Josué 24.2-3), num ambiente de idolatria, na cidade de Ur dos Caldeus, onde seus país serviam a outros deuses.

Para Moisés, e depois para seu discípulo e sucessor Josué, a nação que esta nascendo é fruto da maior revolução cultural da história da humanidade. A transformação cultural no coração de um jovem, diante da transformação da herança espiritual de uma família, para um único Deus. Deus entra na história de Abraão, e o convida para um viagem sem destino claro, com este convite a humanidade está mudando.

Na vida de Abraão, Deus gera mudança geográfica (Gn 12.1), e com isso Deus está falando que não estamos fadados aos limites dos muros de nossa casa. O fatalismo que cerceia a criatividade e nos impede de ir além do mundo apresentado a nós é confrontado. A peregrinação deste homem, primeiro com o seu pai, depois com sua esposa, e sobrinho e posteriormente as peregrinações herdadas por sua família até Moisés, é como um desfile do propósito eterno de Deus, ensinando a humanidade o caminho do retorno das nações para o criador. Todo o mundo conhecido da época observa os homens cuja a marca é a participação de Deus na história - Eles realmente levam Deus em conta.

Na vida de Abraão, Deus gera transformação social (Gn 12.1), convidando-o a sair do meio social, da parentela, da casa de teu pai, para descortinar um caminho não conhecido, de migração, sem residência fixa, as vezes estando no Egito. Da segurança para a insegurança, do conforto ao desconforto, esta obediência de coração, com erros e acertos, descreve a construção do homem que vem a ser chamado de pai da fé.

A Graça educando um homem para ser uma família, amadurecendo na história, um povo para ser uma nação, que serve ao Deus de Abraão, vosso pai. Em Abraão a história se submete à história de Deus para nós, é aí que começa o estabelecimento das alianças que irão marcar nações (Gn 12.1-3; 13.14-18; 15.1-11; 17.1-8; 17.18-21).

Ao narrar esta história, durante o êxodo, Moisés, está registrando a gênese da primeira nação monoteísta da história da humanidade. E todos os seus escritos, vão determinar este controle histórico de Deus, no meio da humanidade em direção ao propósito eterno da revelação da esperança em Cristo.

“sabe com certeza que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida a escravidão, e será afligida por quatrocentos anos”.

Nós estamos construindo o pano de fundo para o melhor entendimento do que consideramos a grande descoberta da humanidade, Deus, o único Deus, o Eu Sou, construindo o conhecimento a Seu respeito no meio da humanidade, como ele deveria ser, e as influências deste conhecimento vivido e praticado no dia a dia. Assim, o registro escrito da revelação de Deus em Moisés é antes de tudo a carta magna, fundamental para a vida de uma nação, que tem uma história de libertação, um líder e uma herança em Abraão.

Deus está ensinando a humanidade, a base é a capacidade de entendimento da própria humanidade, nenhum ensino que está sendo dado vai além da capacidade da própria humanidade de entender.A humanidade é fruto do meio, fruto do seu tempo, e da sua capacidade de aplicar o que aprende para viver. E assim como Abraão, saiu do meio da idolatria, e da confusão social, os seus herdeiros, que até agora só tem promessas, vivem e experimentam a promessa de serem reduzidos à escravidão. Esta era uma certeza para Abraão, pois o futuro lhe foi descortinado por Deus.

Um jovem - uma família - um povo escravo no egito.

Nesta participação de Deus na história, para que as promessas de Deus se cumpram a Abraão, quatrocentos anos depois, com Moisés, sendo a resposta de Deus a um povo em suas ansiedades. O Egito se torna parte do instrumento histórico de Deus para esta construção de identidade nacional, como chamado a uma revolução social, que tem início em uma família, mas tem o propósito na formação de um povo na mesopotânia antiga.

A esperança, é o que preserva um povo sendo escravo e afligido pela tirania, para que com o decorrer da história, venha a ser uma nação. Esta história da antiguidade mostra como os vínculos da esperança são fortes e são eles que impedem a dissolução da humanidade. A utopia estava preservada na história contada pela família. Uma família, que tinhas seus defeitos. Deus não estava lidando com homens perfeitos, mas no meio da humanidade imperfeita gerando na história a caminhada em direção Àquele que é Perfeito.

Moisés não escondeu, os defeitos de Abraão, e nem as suas tentativas de ajudar Deus em suas promessas. A paciência e o amor de Deus são imensos, Ele se mantém firme em Seu propósito mesmo diante das falhas humanas. As promessas a Abraão começam a acontecer com Ismael (Gn 25.16), mas a história que interessa a Moisés, é a que passa por Isaque (Gn 25.23), através de Jacó, que vem a ser Israel (Gn 27.27-29; 28.13-15; Gn 32).

Uma família onde existe mentiras, covardia, traição, falsidade, disputa de espaço. Uma família adotada por Deus para ser transformada e do seu interior, gerar a esperança da humanidade. Deus mostra como a cultura familiar, o mundo interior deve realmente estar submisso a Deus, alinhados com Deus, de fato e de verdade. É em Jacó que Israel se torna uma família, e como toda a família os dilemas estão presentes. As disputas na diversidade familiar chega ao cúmulo de levar a José, o queridinho do papai ao Egito.

O salvador da família, é aquele excluído pelos iguais, e no fim os egípcios que enterraram a Jacó, eram os filhos de Abraão preservados na história da promessa pela sabedoria de José o irmão non-grato, que investiu restituição e perdão na família. Uma família que vira um povo no Egito. Com a morte de José e de toda aquela geração (Gn 1.7), chegamos ao momento da história de Moisés.

Como já falamos, era o êxodo a primeira grande migração em massa da história da humanidade, as fronteiras geográficas estão sendo quebradas e a mudança geo-política está gerando transformação social, de um modo exclusivo. O império econômico perdeu sua força de trabalho, as nações estão em polvorosa, a estabilidade questionada, uma migração está pedindo passagem, e enquanto caminha, a sua presença e a sua notícia vai abalando as estruturas organizadas dos povos. Aqueles escravos se tornaram uma tribo nômade, a minoria está escrevendo a sua história, em direção a uma terra que já tem dono.

Um jovem - Uma família - Um povo escravo - Uma tribo nômade - Uma Nação

Este é o objetivo, ser uma nação. É por isso que Moisés começou a escrever a Torá, para gerar uma nação. É sob este pano de fundo que estudamos Gn 1-3. Quando aquele que “É”, participa, ele transforma toda a expectativa da humanidade. Então o povo está no êxodo, aprendendo a ser uma novidade para as nações, uma nação cujo Deus é o Senhor e ouve inicialmente: 

No princípio, criou
Deus
os céus e a terra

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Os desafios para os dias de hoje: a formação de um herói



Moisés é o fruto da conspiração de mulheres em favor da criança. É por isso um sobrevivente, filho de uma mulher ativa na história, é herdeiro de sobreviventes. A sua mãe e o seu povo estavam a quase quatrocentos anos em estado de servidão a um império, e o seu sofrimento aumentava, debaixo do estado de tirania.

É um sobrevivente, porque quando o deus-governador, fruto e articulador do estado totalitário, resolveu matar as crianças do povo Hebreu, para diminuir a população deste povo, duas duplas de mulheres começaram a criar as condições, para a preservação de uma criança. As parteiras, que apesar de receberem uma ordem direta do rei do Egito, tomaram a postura de desobediência civil, agiram firmemente contra as ordens do rei. Assim o rei, vendo que não poderia contar apenas com uma pessoa, aglutina o seu povo contra os hebreus.

Por outro lado, vemos a reação da mãe de um menino hebreu, que o escondeu por três meses, chegando ao limite de suas possibilidades. A angustia de uma mãe é apoiada pela presença de uma irmã, uma dupla que apela para o senso maternal de uma mulher - a filha de faraó. Um risco, uma aposta, na capacidade humana de superar a angustia do tempo, a avaliação foi simples - “Este é um menino dos hebreus”. O socorro foi rápido, a irmã prontamente apoiou o socorro e chamou a mãe, que por apoio da filha de faraó cuidou do menino. Criado como filho da filha de faraó, porque foi tirado das águas, foi chamado - Moisés.

Moisés então tem formação social egípcia, aprende os costumes do povo hebreu, e os procedimentos da família de faraó, mas seu coração é hebreu. Cultiva no seu íntimo a sede da liberdade, de tal maneira que se dispõe a matar. Cultiva no seu íntimo o desejo de justiça em meio a seu povo a ponto de se envolver em uma briga, para gerar a paz. Experimenta o medo diante de toda a pressão social, na qual viveu e cresceu - por isso foge.

Essa conjunção de mulheres atuantes na história, não eram capazes de descrever o futuro preparado para Moisés. Toda a construção do caráter de um homem, de modo adverso e excepcional, uma exceção na história, estava para preparar o mundo para um herói.

Moisés foge para Midiã, busca conforto nos herdeiros de Abraão, que estão espalhados no oriente, uma tribo nômade, um povo que sabe da história do passado, e que tem um sacerdote. Reuel - amigo de Deus - ou Jetro, que é pai de sete mulheres que trabalham e enfrentam o tempo, e as angustias da vida para ajudar a família. No seu senso de justiça e liberdade, Moisés, protege as mulheres dos pastores, garante o dia de serviço, herda uma casa e ganha uma família. No exílio, o nome de seu filho faz lembrar sempre de seu povo - Gérson - Sou peregrino em terra estranha.

Deus está construindo um homem, mas ele precisa de um encontro, ele precisa de um sonho, ele precisa de um milagre. Deus entra na história e revela o Seu propósito na história. Este encontro, transforma Moisés e a disposição de seu futuro. Moisés carrega na alma a tristeza do passado, a dor de ter que fugir e não poder ajudar aqueles que precisam, em seu coração tem a saudade de casa, a visão da tirania gerando opressão, e a rotina da vida. Tudo deveria continuar como está, até Deus entrar na história e chamar Moisés.

“Naqueles dias, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos e viu os seus labores penosos; e viu que certo egípcio espancava um hebreu, um do seu povo. Olhou de um e de outro lado, e, vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia. Saiu no dia seguinte e eis que dois hebreus estavam brigando; e disse ao culpado: Porque espancas o teu próximo?” (Ex 2.11-13)
“E viu Deus os filhos de Israel, e atentou para a sua condição” (Ex 2.25)
“Certamente vi a aflição do meu povo” (Ex 3.7)

É interessante a construção do texto desta história, pois ele nos deixa claro o envolvimento de Deus, com a história humana, de modo que Deus se apresenta com os sentidos de percepção humana e a capacidade de gerenciamento de crise. Olha, eu vi, assim como você também viu. Agora vamos conversar sobre o que nós dois vimos.

Expressões como: ouvindo, lembrou-se, viu (Ex 2.23-25), vendo, chamou (Ex 3.4-5), vi, conheço, desci (Ex3.7-8), revelam a participação de Deus na história, ele está presente, está atento, está pronto. Mas a ação de Deus, indo em direção a Moisés, proporcionando a Moisés um encontro com a sua história - “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”, e isto revela um traço importante da missão de Deus aos homens, “Vem, agora, eu te enviarei” (Ex 3.10).

Diante de todos os medos e dilemas expressos por Moisés no descortinar da conversa, Deus deixou claro que não haveria outra opção. Deus não flerta com o plano B, não existe risco para a construção histórica de um libertador, legislador, profeta, realizada por Deus e o Seu propósito para este homem. Moisés é você quem vai. Esse imperativo gera medo em Moisés - “Quem sou eu?”(Ex 3.11). As frustrações da vida, os dilemas da caminhada, o empurram para o sentimento de incapacidade - “Que lhes direi”, “Mas eis que não crerão nem acudirão a minha voz”, “Ah! Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua”. Moisés chegou ao extremo de sugerir outra pessoa para Deus - “Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar menos a mim”.

Uma coisa é interessante no texto, Deus não vai mudar os seus planos, Deus não está aprendendo a entender a personalidade de Moisés. Ele se revela como - “Eu Sou o que Sou”, aquele que não tem definição e que é se apresenta a você para te ensinar o próximo passo da sua vida, de modo que a sua vida tenha importância para a humanidade, um discipulado de perguntas e resposta em direção a algo já definido. O texto diz: “se acendeu a ira do Senhor contra Moisés”, ou seja Deus proporcionou a conversa até o limite da paciência de qualquer líder com o medo daquele que deveria ser responsável.

O chamado de Moisés, revela a marca da grande necessidade da humanidade: Deus entrando na história. A graça se manifestando educadora para que todos os homens possam entender todo o propósito de Deus. A missão de Deus aos homens, sendo executada pelos seus servos. Agora Moisés tem que se comprometer com a palavra de Deus. Observe que este chamado não foi para a salvação, mas para o serviço, só assim poderemos viver intensamente a humanidade, pois ela existe para se realizar no serviço  à missão do Eu sou. 

A Esperança existe e está presente, é uma Pessoa, que está presente, o grande desafio é sentar com Ela, e ouvir Dela, Obedecer, experimentar todo o propósito de Deus. Moisés estava com Deus, não mais apenas com os conceitos sobre Deus. Em todos os escritos de Moisés, vemos a construção de uma história de caminhada em serviço à vontade do Criador, a presença Real na história, educando, ensinando, discipulando como o que É, mas É presente na história (Eu serei contigo Ex 4.12).

Moisés não quer provar para outros a existência de Deus, ele a pressupõe. Deus Existe. Na minha opinião, realmente nunca conseguiremos provar para “os outros” que Deus existe. Este não é o propósito da Igreja. Deus existe, este é um absoluto, inegociável e inexplicável. Olhamos a nossa volta e percebemos Deus na natureza, estudamos e percebemos vários argumentos desenvolvidos para provar a existência de Deus. Todas eles são úteis e importantes, devemos realmente pensar Deus e como tudo na criação caminha na direção à Ele. Mas nada disso é suficiente para transformar o coração, tudo o que falarmos corretamente sobre Deus, é útil, mas só um milagre transforma o coração.

Outro aspecto claro para Moisés, é que Deus se revela. Deus existe, ele É. Somos nós a existência que pedimos a Deus todos os dias a permissão para existir. Deus É, e se deixa conhecer, vai ao encontro da história da humanidade, para que os homens possam entender a melhor parte do SABER, a fonte de toda a sábia criatividade, de onde surge todo o ideal, que se torna ação real e construtiva - A CRIAÇÃO.

Moisés, cresce em um mundo plural, envolto aos costumes e religiões de faraó e sua família. Vendo o contraste e podendo escolher entre duas culturas, dois povos. A bíblia não mostra a infância, nem a adolescência, as conversas, os dramas e as tramas, no conflito íntimo deste ambiente. Não é este o propósito, mas toda a construção deixa claro o Senhorio de Deus na história, conduzindo a revelação do propósito eterno no serviço do homem à missão de Deus.

A grande descoberta na história de Moisés, é Deus na história, Seu propósito e a possibilidade de ser usado como instrumento desta graça em favor do próximo. Moisés, é um instrumento em serviço ao libertador. A ênfase em todos os seus escritos nunca cai sobre Moisés, mas sobre o Eu Sou. Toda a humanidade de Moisés, todas as suas fraquezas, seu talento e capacidade, seja ele um grande fugitivo, ou um grande estrategista, nada do que fez foi fruto de sua capacidade, mas o fez impulsionado pela graça que lhe ensinava e ensinava a um povo, a estar no centro do propósito de Deus.

Um desafio para os dias de hoje: O pano de fundo



No princípio, criou Deus os céus e a terra. (Gn 1.1)

Está é a frase mais importante já expressa no cosmos por um homem. É a expressão do encontro de um homem, com o entendimento de toda a realidade. Neste encontro se descortina a grande descoberta da humanidade.

Para entendermos melhor o que estou descrevendo, vamos conhecer os autores, o momento da história quando este registro aconteceu, com os seus dilemas, e desafios, diante da construção de um futuro que se descortinava, ainda que não totalmente conhecido.

Esta é uma história de crianças sobreviventes, da revolução de escravos, da ação inteligente de mulheres, da força avassaladora do encontro de um jovem com Deus. É a história da revolução cultural, do indivíduo, na família e no antigo crescente fértil, o mundo da época e as conseqüências desta revolução para toda a história da humanidade.

Esta frase foi escrita por Moisés, durante o primeiro grande movimento de migração de massa da história da humanidade. Os registros históricos relatam cerca de seiscentos mil homens a pé, saindo do Egito, com endereço certo, mas com o tempo e o aprendizado ainda a ser descortinado. Nesta conta estão fora, mulheres, crianças e um misto de gente, que aproveitou a situação.

O destino deste povo foi o deserto, por um período prolongado de tempo e aprendizado, com o objetivo de conquistar a terra um dia prometida por Deus a Abraão. Quarenta anos sem plantar, sem colher, sempre supridos em suas necessidades, o espaço de duas gerações, para que uma pudesse aprender com o erro da outra.

O crescente fértil está mudando, o mundo está mudando.

Até este momento da história, o mundo havia sido governado, pela força da natureza, por homens que eram venerados por deuses, messias esperados, capazes de serem a solução para o povo. Esta era a esperança, um messias libertador, que se torna dono da cidade e de todos, mas que é um homem, que gera um sistema de governo e usa um meio para prender as pessoas pelo medo.

As cidades estados da mesopotâmia foram construídas desta maneira, assim também surgiu o Egito, com as força da natureza e o homem utilizando o próprio homem para o acúmulo de riqueza de poucos. Os deuses eram temidos pela força do medo, ou pela imposição da força.

É neste ambiente que Deus se revela a Abraão e neste ambiente que Deus levanta um povo para gerar a primeira nação monoteísta da história da humanidade. O princípio motivador, foi extra homem. Deus existe, se revela, se manifesta e se relaciona. A graça salvadora, se manifesta educando aos homens para que encontrem o caminho em direção a Deus e a verdadeira humanidade e relações sociais.

Neste ambiente, o mundo não era uniforme, como nós desejamos para a nossa segurança. Não existia a bíblia como nós a conhecemos, e as referências a respeito de quem é Deus se preservava, pela transmissão oral, histórias contadas na família. Existiam servos de Deus, estavam espalhados entre os povos, guardavam um ensino e uma história que era contada mas não registrada.

O mundo era caracterizado por estados fortes e opressores, as vezes eram cidades as vezes eram impérios, os deuses definiam a moralidade social, caracterizado pelo culto as deusas da fertilidade como a deusa lua de Ur, ou por homens deuses que governavam e deixavam a sua dinastia.

Não havia segurança para a fé em um único Deus, não havia uma saúde social para o desenvolvimento do cuidado com o próximo. O mundo era plural, a verdade diluída pelo domínio e manipulação de poucos que detinham o poder e limitavam a liberdade.

É neste ambiente que conhecemos a Abraão, e em cerca de 500 anos a humanidade vê surgir uma nova sociedade, um novo entendimento de nação, um novo jeito de ser humanidade.

Gênesis 1-3, foi escrito por Moisés, como a base fundamental do ensino de Deus ao povo de Israel, para que este fosse o primeiro povo monoteísta da história da humanidade. Os escritos de Moisés são a carta magna de uma nação. Toda a Torá (Gênesis, Exôdo, Levítico, Números, Deuteronômio) do ponto de vista religioso, moral e social é uma tremenda revolução, na história antiga. Ela é extremamente poderosa na sua capacidade de transformação da antiguidade e na construção da humanidade como ela deveria ser enquanto o Reino não vem. Pena que a humanidade não foi capaz de viver através de tais valores.

Na história, a caminhada daquele povo no deserto, é como o desfile de um propósito eterno, diante de todas as forças que dizem o contrário. A humanidade achava que sabia, achava que entendia, então Deus visita e começa a ensinar. A graça nos educando (Tt 2.12), estabelecendo o paradoxo - Como deveria ser?, um contraponto para o: Como é? mostrando para todos nós que: Só conseguimos ser por um milagre.

O povo de Israel se liberta da idolatria, somente após o exílio, e ainda assim, não é capaz de receber o messias, como aquele que é a humanidade como ela deveria ser. Todas as nações da terra distorcem a justiça estabelecida na Torá, e nenhuma instituição humana em nenhum momento da história foi totalmente capaz de expressar exatamente como deveria ser a humanidade. Existem momentos em que os servos de Deus chegaram bem próximos, mas a natureza humana é incapaz de permitir isso. A única representação perfeita desse marco da história, é JESUS. Por isso na nossa oração, devemos sempre pedir - “Venha o teu Reino”.