quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Cruz – a morte em favor do próximo




PENSAR

Ninguém pode negar a importância da cruz para a humanidade. No princípio era apenas um instrumento Romano para a manutenção da justiça, e da ordem social. A pena capital aplicada para aqueles que incomodavam a sociedade e a perturbavam de tal maneira que era necessário se livrar dela. È fácil nos livrar dos empecilhos pela vida, para isso servia a cruz.

A questão é: Quem estava na Cruz? E por que estava na Cruz? Respostas fáceis, para perguntas simples, que nos levam a entender melhor como devemos viver. No resumo da história da humanidade, na cruz mais importante da história, quem estava na cruz era Jesus. Ninguém mais ninguém menos que o próprio autor da vida.

Afinal, qual vantagem, Jesus tiraria da cruz? Para ele mesmo, nenhuma! Foi para a cruz, pela expressão do seu generoso amor em nosso favor! Eu tenho vantagens na cruz – perdão, reconciliação, paz, inclusão na família, vocação, visão, sentido, propósito, desafios, sonhos, benção, pastoreio, presença, selo do Espírito Santo.

Nossa privacidade, nosso orgulho, nossa arrogância, nos impedem de perceber o que realmente significa a cruz, quando nos dispomos a imitar a Jesus. Olhamos o cristianismo como a nossa religião de alívio pessoal, afinal "tudo o que ele conquistou na cruz é direito nosso é nossa herança". Somos preferencialmente inclinados pelo nosso egoísmo ao direito de receber, queremos receber cura, recursos, emprego, tudo o que vem embalado pela caixa denominada "bênçãos". E são bênçãos de verdade, são meios de Deus mostrar a providência, mas não são o essencial para o homem, e nem o mais nobre projeto de vida.

Estamos apenas repetindo as nossas relações pessoais, nos relacionamos com o estado a partir dos nossos direitos, nos relacionamos com a família a partir do nosso direito ser feliz, nos relacionamos com os nossos recursos financeiros, a partir do nosso direito de ter. Nós olhamos para nós mesmos, vemos as nossas necessidades e as suprimos a partir da nossa capacidade de controle. Dificilmente olhamos para os nossos deveres, pois sempre agimos pensando em nós mesmos.



MISSÃO

A maior conquista de Jesus na cruz para mim, a minha maior herança, é poder seguí-lo, imitá-lo, ser representante dele no ambiente onde vivo. Nas palavras de Jesus, "Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo", e nas palavras de João – "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos".

A cruz romana era um instrumento de vergonha, o condenado caminharia publicamente em direção à morte como modelo de disciplina social. A cruz romana imposta sobre Cristo, era a renuncia pública do único filho de Deus de viver a vida privada, era também uma decisão de repúdio público, de três grandes heranças da história humana:

  1. o governo, representado pelo sistema romano, que tinha interesse apenas de manter a ordem pública, acabando com qualquer possibilidade de convulsão social, mesmo que isso signifique a destruição da verdade;
  2. o intelectual, menos presente na história da cruz, que acontece em Jerusalém, mas muito presente na formação social do mundo Greco-romano, pois a filosofia grega e o conceito de cidades estados formam o mundo romano, junto com o panteão de deuses, este mundo se omite diante da defesa da verdade;
  3. o religioso, representado pelo judaísmo da época. Aqueles que tinham a palavra revelada na mão, na época o antigo testamento foram os mais incisivos na repulsa a Jesus.
    A cruz de Cristo, é exemplo de missão e propósito para a humanidade. Cristo como modelo a ser imitado, age na contramão do nosso ego. O egoísmo e a vaidade religiosa da busca incessante por benção, nos impede de ver o maior privilégio da cruz, "a morte em favor do próximo". Aqui está todo o sentido do cristianismo, aquele que viveu a minha morte, para que eu pudesse viver a sua vida, aquele que me inclui no seu estilo de ser, foi á morte por mim.



    TRANSFORMAÇÃO



    A cruz na perspectiva de Cristo, em Seu ato em meu favor, e na minha imitação a Cristo, me faz entender melhor a radicalidade apostólica do primeiro século. Aqueles homens deixaram de viver para si, passaram a entender o mundo a partir da perspectiva do "não mais eu, mas tu". O próximo se tornou tão importante quanto eu mesmo, "amar ao próximo como a si mesmo", "nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo; não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros".

    O mundo da época não foi capaz de suportar a nova proposta de vida, a imitação de Cristo, transformou as relações com a religião, o governo e a intelectualidade nas bases da busca pela verdade:
  4. o governo, viu o "Ave César", ser substituído por "Jesus é Senhor", o que transformou rapidamente o foco de preocupação imperial. Os Judeus, já não eram mais tão preocupante, pois foram os Cristãos que disseram que alguém mais importante que César nasceu fora de Roma, na esquina do mundo.
  5. O intelectual, percebeu que o ideal entrou no real, a teoria foi conhecida como gente, Jesus assumiu toda a resposta da filosofia sobre si, "Eu sou o caminha, a verdade e a vida". A busca por resposta volta a uma pessoa, e o desvendar do conhecimento é o desvendar da mente do criador, já antigamente proposta por Moisés – "No princípio criou DEUS os céus e a terra". A melhor porção do todo é A PESSOA.
  6. O religioso, pois os líderes religiosos na busca de controle, poder, capacidade de mostrar força, rejeitaram, o novo modelo e estilo de ser povo de Deus, praticado pela igreja da época, e a multidão de deuses gregos, encontra um novo exemplo Deus, aquele que se sacrifica a nosso favor.


    Eis onde mora a força do cristianismo, nos atos em favor do próximo. Em como eu e você nos mobilizamos para sermos importantes na vida em favor daqueles que estão próximo. Este conceito de imitação da disposição de Cristo em nosso favor na cruz, muda nosso conceito de avivamento. O avivamento, passa a ser medido pelo impacto que o cristão causa em favor do próximo. Nossa religiosidade domingueira, ganha novo sentido, passamos a estar com a família e nos edificamos para como Davi, "servir nossa geração". Nosso testemunho de como vivemos a vida de cruz, só tem sentido se medido a partir do impacto que causamos para transformar a vida do próximo.


     

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