O ano era 1996 ou talvez 1997, eu e a Cinthya estávamos namorando, noivando e nos preparando para casar. Vivíamos intensamente nossos projetos pessoais e o nosso envolvimento com algumas situações que estavam acontecendo em Cuiabá.
No centro da cidade existia um grupo de crianças que viviam na rua e estavam juradas de morte. Algumas pessoas se envolveram e tentaram auxiliar estas crianças. Eu e a Cinthya fizemos amizades, encontramos este grupo na rua, levamos lanches nos becos, e certo dia quando voltávamos de algum compromisso passamos pela praça Bispo na Prainha, quando um grupo de mais ou menos 19 crianças correram atravessaram a avenida pararam os carros e nos cercaram do outro lado.
Parei o carro na calçada, tinha garotos no capo, alguns deles entraram pela janela, saí do carro, parecia um enchame de crianças gritando, tio, tio, tio. Lembro que aqueles que estavam no ponto de ônibus, estavam assustado e eu precisei falar, calma, esta tudo bem, eles são nossos amigos.
Rimos, brincamos, nos divertimos e dissemos adeus, foi um dos momentos mais marcantes em minha vida, lembro ainda hoje de alguns rostos e do sentimento presente naquele encontro. Saudades de cada uma daquelas crianças.
Foi duro ver a morte de alguns ainda na infância, e saber do destino de crimes de outros durante toda a vida. Mas ontem Deus me proporcionou um dos encontros mais importantes da minha vida.
Como consequência da encarnação, vem a adoção, quando Cristo resolve participar em nossa vida, ele vem para nos incluir na vida Dele. Como conseqüência da nossa pregação, passamos a ajudar ao Seu Jorge, um homem que vive as durezas da vida como conseqüência de ser usuário de maconha desde os 13 anos de idade. Uma vida complicada com a perca de todos os sonhos de desejos da infância até o uso de pasta base e a consequente miséria destas escolhas.
Mas como em todo o processo ontem ele resolveu desistir. Quando se encontrou com o irmão de sua ex mulher. o “Presbítero Paulo”, um homem de oração que está na Assembléia de Deus Madureira, um homem sério com a palavra de Deus e com 5 filhos, junto com a sua esposa Eidinara. O Paulo, pergunto para o Jorge, - Você tem certeza disso? E foi orar pelo Jorge.
Quando me encontrei com o Jorge novamente, eu entendi que deveria falar com o Paulo, este por sua vez tinha ouvido Deus falar para vir falar comigo. Quando vi aquele homem franzino chegando com sua família, não seria capaz de entender o tamanho da graça que Deus estava descortinando diante dos meu olhos naquele momento. O Espírito Santo escreveu a história para aquele dia.
Conversamos, percebi a seriedade bíblica daquele casal, e os chamei para nos ajudar com o Jorge. Enquanto ouvia o testemunho do Paulo ao seu Jorge, ele disse: - Enquanto vivia na rua, cheirando cola e usando drogas, virei bandido, e ninguém foi capaz de me enfrentar a não ser minha mãe e mulher.
Interpelei, Paulo: - Quando vc viveu nas rua? Nos idos de 1996! - Você fazia parte do grupo do Roniclei? - Sim! Você estava no dia em que um gol preto parou na praça bispo? SIm, mas não cheguei perto, pois tinha medo!
Quando olhei para aquele garoto de rua, que virou um pregador, vi que o Espírito Santo tinha dirigido a história até este momento. Nosso choro, nossas lágrimas e o pedido que guardo no coração por aquelas crianças diante de Deus, estava na minha frente como resposta de Deus na forma de um homem.
Nunca abracei alguém com tanto desejo de abraçar! Um encontro que confirma sonhos, que inspira o futuro, que afirma a caminhada. Um velho amigo, um novo amigo, aquele que um dia foi ajudado nos ajudando a ajudar o seu Jorge.
Obrigado Deus por me mostrar o Paulo